Da literatura e filmes, muitos foram os relatos de condenações físicas, como o apedrejamento, e restrições como trabalho e formação escolar permitidos, vestimenta autorizada, restrições para dirigir ou viajar. Jean P. Sasson, autora de Princesa, dá a dimensão do sofrimento psicológico, que vivenciam as mulheres:

Eu nasci livre, embora agora me encontre acorrentada. Ainda que invisíveis, as correntes me foram colocadas sem eu sentir, e passaram despercebidas até que a idade da razão reduziu minha vida a estreito segmento do medo”.

 

Filmes como Cairo 678 ou O julgamento de Viviane Amsalem retratam que a luta pela liberdade da mulher, na cultura árabe, tem sido uma empreitada árdua. Por vezes, consideradas seres inferiores, elas têm se submetido às regras e ao rigor de leis machistas e patriarcais, fundamentadas pela religiosidade de seus países.

Pois bem que essa semana assisti com muita alegria a noticia sobre a primeira fábrica dirigida por mulheres na Arábia Saudita e no mundo árabe.

A fábrica é totalmente gerida por mulheres, da diretoria às condutoras das empilhadeiras !! A fábrica que empacota tâmaras está agora repleta de mulheres que administram, comercializam, embalam, empilham e entregam a mercadoria valiosa em comunidades locais.

 

Nabtah Alsobaie, gerente da fábrica, diz que ela e as mulheres que lá trabalham , ganharam essa oportunidade de comandar a fábrica e que elas tem provado ao mundo que podem ter muito sucesso e que as mulheres sauditas podem trabalhar em qualquer campo de trabalho.

A fábrica, iniciou as atividades, contando com funcionários estrangeiros, porém o dono decidiu mudar as coisas por lá e teve  coragem de implementar algo que começa a ser uma tendência no reino, que é integrar mulheres a força de trabalho.

Assisti a toda a reportagem mas nada foi falado sobre se o salário das mulheres é muito menor que o dos homens porém, mesmo assim, acredito que a sensação de liberdade para as trabalhadoras é imensa. Sendo precursoras de algo que, por muitas vezes, acharam que nunca poderiam fazer em seus países, é um grande passo.

Todas trabalham com os trajes típicos obrigatórios mas pelo menos se mostram felizes por poder sair de casa e desenvolver um bom trabalho.

Algo muito interessante é que um tributo obrigatório no islã, o zakat, tem como símbolo a tamareira ! Fazendo uma analogia do que dizem sobre esse tributo com essa primeira fábrica dominada por mulheres surge algo bem  bonito.

Em seu sentido corrente, Zakate, Zakat ou Zakah é conhecido como um tributo da religião islâmica, constituindo um dos pilares do Islam. 

Tal palavra não possui equivalente no idioma português, mas, em seu sentido literal, significa “purificar-se” — da ganância e luxúria das posses para uma conexão espiritual com Deus. Em um sentido mais amplo ele pode representar a união e a caridade entre diferentes pessoas, cuja responsabilidade social baseia-se, também, na luta por uma sociedade em que todos possam se tratar de maneira igual e tenham condições e oportunidades similares para desenvolver seus estilos de vida e suas visões de mundo.

O simbolismo da tamareira é convergente com o significado da prática do zakat: cultive ações e práticas que não sejam apenas para você ou para seus conhecidos mais próximos, mas que possuam um alcance para todos e para um futuro melhor.

     


Fico extremamente feliz quando vejo alguns passos que o mundo árabe dá em relação a igualdade de homens e mulheres !!!

 

 

Fontes:

www.diariodocomercio.com.br

www.noticias.r7.com

www.msn.com

www.medium.com