São Paulo não para nunca, são novos passeios, lugares, restaurantes, shows e exposições que dificilmente conseguimos acompanhar tudo. Mesmo eu que adoro uma novidade e tento participar da maior parte de eventos não sabia da existência do Museu da Polícia Civil na Cidade Universitária.
 
 
 
Esses assuntos relacionados a investigação, descoberta e estudo de crimes me fascinam e depois da minha entrevista na delegacia do aeroporto de Congonhas com minha amiga delegada Fernanda Herbella ela me passou a informação de que existia esse museu dentro da ACADEPOL. Tive o privilégio de ter Fernanda como minha guia neste passeio cheio de mistério e curiosidades.
 
O museu não é nenhuma novidade, muito pelo contrário, ele começou as atividades na década de 20 e seu acervo eram armas, objetos e instrumentos apreendidos nos inquéritos policiais que eram remetidos à Justiça, e posteriormente devolvidos. O objetivo era ilustrar as aulas ministradas na Primeira Escola de Polícia.
 
Todo policial civil, para estar em sua função, estudou e foi aprovado em concurso público, admitido na Acadepol onde estudou mais e mais para, enfim, conquistar seu espaço dentro da instituição e do sistema de segurança pública do Estado de São Paulo.
 
Atualmente, a Acadepol é dirigida pelo delegado Júlio Gustavo Vieira Guebert, a academia teve suas primeiras páginas escritas em 1924, com o surgimento de um primeiro embrião do que viria a ser a escola de policiais.
 
Essa escola foi extinta em 1927 mas em 1933 ressurgiu reestruturada como “Curso de Técnica Policial e no ano seguinte passou a ser dividido em 2 disciplinas: Polícia Científica e Técnica Policial passando definitivamente a Escola de Polícia nesse mesmo ano de 1934.
 
A Acadepol, desde 1961, tem sede na Cidade Universitária, campus da USP. Um convênio celebrado entre a USP e a Secretaria de Segurança Pública permitiu a construção do edifício que é a base da academia desde então.
 
 
 
A Acadepol tem várias atribuições além da formação de policiais civis. Em sua estrutura também estão instaladas a Assistência Policial, o Centro de Direitos Humanos e Segurança Pública, secretarias de concursos públicos, dos cursos de formação, dos cursos complementares, pesquisa e apoio a produção científica e também o Museu da Polícia Civil que tive o prazer de conhecer e contarei mais sobre.
 
A Acadepol ministra também cursos de aperfeiçoamento, especialização, treinamento e de medicina legal e perícias médicas. A concorrência é bem grande mas o diretor garante que os esforços individuais são recompensados já na formatura. Estando nomeado e empossado o aluno já é considerado um policial, entrando em exercício na Academia de Polícia e, na véspera da formatura, o aluno escolhe o posto de trabalho e na cerimônia recebe o ofício para se apresentar na unidade policial. Formado recebe a funcional, a arma de fogo e colete balístico podendo atuar.
 
E no mesmo prédio onde tudo isso acontece, está o Museu da Polícia Civil e é claro que esse passeio não é para todos mas para quem gosta desse tipo de tema, é curioso e não se impressiona com algumas imagens é maravilhoso.
 
Lá estão desde as viaturas antigas, como o fusquinha por exemplo, armas apreendidas super curiosas como uma feita de miolo de pão por presidiários, as famosas “terezas” para os prisioneiros escaparem da prisão, munições, portas blindadas de carro que receberam tiros, disfarces, e a descrição ilustrada e em alguns casos replicada de crimes famosos que aconteceram na nossa cidade, como o crime da mala e o crime do restaurante chinês, por exemplo.
 
Tem também bandidos notórios e as descrições de crimes e condenações como Chico Picadinho, Maníaco do Parque, o da luz vermelha, Suzane Richthofen, Farah Jorge Farah, Mateus da Costa Meira, etc.
 
Quando visitei o museu, havia junto uma turma do primeiro semestre de Direito e existe um cômodo bem interessante no museu onde existe uma cena de crime simulada com uma manequim e por ali são formuladas hipóteses, levantadas provas para a cena em questão.
 
Você também encontra por lá apreensões de materiais de jogos de azar, como roletas e até um jogo do bicho.
 
Um aparelho super interessante mas que no Brasil não serve como prova é o popular detector de mentiras e lá você pode encontrar um exemplar antigo dele. Hoje, a polícia conta com a tecnologia que é capaz de avaliar as variações da íris do olho do interrogado.
 
Você pode olhar todo o kit para coleta de impressões digitais que, segundo a delegada Fernanda Herbella, mudou muito pouco nos dias de hoje.
 
Houve uma tentativa de furto ao Banco do Brasil em 2017 quando foi descoberta a construção de um túnel para acesso ao banco e esses equipamentos originais utilizados nas escavações estão expostos no museu.
 
Um presente muito emocionante recebido dos Estados Unidos está no corredor do museu, um fragmento da estrutura do World Trade Center que foi destruído com os ataques terroristas de 2001.
 
Outra coisa muito interessante que achei foi o padrão de tatuagens dos meliantes. Até hoje existe tatuagens específicas de gangues, grupos, tipo de crime cometido, e por aí vai.
 
É um passeio que, para quem gosta dessas coisas e eu sou uma delas, é maravilhoso, gratuito, diferente e interessante.
 
A cada sala, a cada descrição de crime, cada foto, sua mente te leva ao momento que aconteceu, você lembra o que estava fazendo naquele dia, naquela hora do ocorrido, um ótimo exercício para a memória também.
 
 
 
Eu amei! Meus filhos ficaram curiosos e os levarei em breve.
 
Horário de Funcionamento do Museu:
Terça a sexta das 13hs às 17hs
– a entrada de menores de 15 anos somente será permitida com o acompanhamento dos pais ou responsável;
– são permitidas fotografias nos locais indicados;
– trajar uma roupa compatível com o local;
– para visitas em grupo o agendamento prévio é necessário pelo email: museu.acadepol@policiacivil.sp.gov.br
– entrada gratuita
 
Fonte:
 
 
Dani Mollo