Alimentação x Tireoide

Alimentação x Tireoide

A tireoide é uma importante glândula do nosso organismo, localizada na parte anterior do pescoço, que produz os hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina), que têm como principal função regular o metabolismo. 
Se a glândula da tireoide não funciona adequadamente, alterações podem ocorrer em todo o corpo, em graus variáveis de severidade.

Tireoidite
É a inflamação da glândula tireoide, sendo a causa mais comum do hipotireoidismo. 
A tireoidite tem alguns sintomas que são usualmente os sintomas do hipotireoidismo, sendo também comum que a tireoide aumente de tamanho, podendo retrair com o tempo. 
A forma mais frequente desta doença é a Tireoidite de Hashimoto, uma doença indolor do sistema imunológico que afeta 5% da população adulta, aumentando sua incidência em mulheres, proporcionalmente ao aumento da idade.

Bócio
O bócio é o aumento anormal da região anterior do pescoço causado por uma tireoide aumentada. Este problema ocorre em pelo menos 5% da população do mundo todo, tendo como causa mais comum a falta de iodo, componente químico que a tireoide usa para produzir hormônios. 
Aproximadamente cem milhões de pessoas não têm uma quantidade suficiente de iodo na sua dieta, mas esse problema vem sendo resolvido pela adição deste componente ao sal de cozinha. 
Mesmo com estes cuidados a glândula tireoide pode aumentar de tamanho, criando um bócio, e isso pode ocorrer em várias doenças da tireoide, como hipertireoidismo, hipotireoidismo, tireoidites e câncer de tireoide.

Hipertireoidismo
O organismo fica acelerado em função do excesso de hormônio tireoideo no sangue. 
Esses casos são, aproximadamente, dez vezes mais frequentes nas mulheres, afetando cerca de 2% delas no mundo inteiro. 
O aumento da frequência cardíaca, nervosismo, fraqueza muscular, sudorese, perda de peso, tremores, mudanças na pele, diminuição do fluxo menstrual, bócio e queda de cabelo são sintomas comuns da doença.

Hipotireoidismo

O hipotireoidismo faz o organismo funcionar mais lentamente. Isso ocorre quando há quantidade insuficiente de hormônio tireoideo no sangue, sendo sua prevalência maior entre as mulheres. 
Entre seus principais sintomas está a fraqueza e o cansaço, intolerância ao frio, intestino preso, ganho de peso, depressão, dores musculares e nas articulações, unhas quebradiças, enfraquecimento do cabelo e palidez.

1) Que nutrientes são importantes na alimentação de pacientes com hipotireoidismo?
Entre os nutrientes, o selênio pode ser o mais importante porque é antioxidante e é essencial para a conversão do hormônio da tireoide T4, que o corpo produz, em sua forma ativa, T3. A castanha do Pará é uma rica fonte do nutriente, que pode também ser encontrado em algumas carnes magras.
A ingestão de fibras também é muito importante para o controle do peso e alívio de um dos sintomas do hipotireoidismo, a constipação. Alimentos como alimentos, como feijão, arroz e outros grãos, trigo e aveia são ricos em fibras. O consumo da aveia também contribui para o controle do colesterol. Segundo a endocrinologista, existe uma relação direta entre TSH e colesterol. Mesmo na faixa de normalidade do TSH*, esta relação se mantém. Isto é, quanto maior o nível de TSH mais elevado é o colesterol também. Isso ocorre porque os hormônios tireoidianos são essenciais no metabolismo das gorduras e do colesterol
 
2) Como o metabolismo pode ser acelerado?
O ideal para a dieta de pacientes com baixa função da tireoide é incluir pequenas refeições espalhadas ao longo do dia. Comer cinco ou seis porções (Café da manhã, lanche, almoço, lanche da tarde, jantar e ceia) ajudará a equilibrar o metabolismo lento, que faz parte do hipotireoidismo. O importante é que as refeições tenham em torno de 300 calorias cada, e para perda de peso, é importante combiná-las com a prática de exercícios físicos.
Conselhos gerais também valem para pacientes com hipotireoidismo, como beber bastante água, comer mais frutas e verduras e menos massas, pão e amidos, e não deve deixar passar mais de cinco horas entre as refeições.
 
3) Que cuidados devem ser tomados na alimentação?
O consumo excessivo de alguns vegetais que contém cianetos (mandioca) ou substâncias que interferem na absorção de iodo também pode ser nocivo. A ingestão de brócolis, repolho, couve-flor, mostarda, amendoim, rabanete e couve de Bruxelas deve ser comedida. Só o consumo excessivo e constante, ou seja, comer todo dia uma boa quantidade, é que tem efeito bocígeno.

Quanto ao consumo da soja, que já foi apontada como vilã do hipotireoidismo, a médica esclarece que isoflavonas podem interferir na absorção do iodo, mas usar leite ou óleo de soja não vai causar dano à saúde.
*TSH é o hormônio estimulador da função tireoidiana, que é controlado pela hipófise (também conhecida como glândula pituitária e que está localizada na base do cérebro).
 
Teor de iodo em alguns alimentos (fonte mcg/100g):
– Sal iodado: 7400
– Camarão: 90
– Algas: 60
– Ostras: 38
– Badejo: 30
– Atum: 30
– Bacalhau: 20
– Aipo: 15
– Agrião: 15
– Caranguejo: 13
– Salmão: 11
– Leite de vaca: 11
– Arenque: 10
– Alho: 9
– Carne bovina: 5,3
– Fígado de boi: 5
– Aveia: 4
– Arroz: 3,6
– Sardinha: 3,5

Giovanna Giacomini
@gio.nutri