Um cenário político caótico e uma briga entre os poderes, que apesar de estar momentaneamente apaziguada, deixam claro que o tom pacificador não irá durar muito tempo. Observando estes e outros fatos, não precisa ser especialista em política para perceber que a corrida eleitoral já começou, apesar de ainda faltar um ano para a data das eleições.

Executivo x Legislativo e Judiciário

Ao que parece, o judiciário, encabeçado pelo Supremo Tribunal Federal, pretende rebater as ações do presidente na “mesma moeda”. Assim, fazendo um jogo mais pesado no que se refere aos precatórios e orçamentos. Até porque, tanto o presidente Bolsonaro quanto o ministro Paulo Guedes precisam do STF para aprovar essas pautas.

O próprio legislativo, que antes estava mais “neutro”, agora se apresenta incomodado com as declarações do presidente. E o mercado financeiro não é muito diferente nisso, afinal, ele também tem reagido ao atual momento político.

Paralisação dos caminhoneiros

Acredito que um dos melhores exemplos são os caminhoneiros, que apesar de serem uma das classes super fiéis ao presidente, ainda sim se manifestaram e deram um recado para o governo.

Apesar do protesto não ser apenas por conta do alto preço dos combustíveis, mas também como forma de apoio político ao presidente Jair Bolsonaro, inclusive querendo a renúncia dos ministros do STF, o principal recado foi muito claro.

“Nós te apoiamos, mas você não possui nenhum controle sobre nossa classe”. Além do recado, ficou notório que os caminhoneiros detém um enorme “poder” em suas mãos, e que independentemente de governo, caçar briga com a categoria pode significar que você está “cavando a própria cova”.

Foi exatamente por isso que o Bolsonaro recuou em suas falas, e pediu o fim da greve, justamente para que a mesma não gerasse a falta de abastecimento, como ocorreu em 2018. Afinal, o sistema de transporte do nosso País é totalmente rodoviário.

Tentativas de controlar a crise

Vale destacar que a medida tomada na última quarta-feira (15), quando o governo autorizou os postos a venderem gasolina de qualquer marca com o objetivo de conter os preços altíssimos do combustível, provavelmente deve ter relação com uma das reivindicações dos caminhoneiros.

Além desta medida, o presidente já havia divulgado uma nota recuando e se desculpando pelas falas antidemocráticas, isso sem contar o “reconciliamento” feito via telefone com o ministro Alexandre de Moraes, mediado pelo ex-presidente Michel Temer.

Futuro da economia

Para muitos analistas, com a inflação em alta e os riscos fiscais voltando ao radar do mercado, o futuro econômico do País é cada vez mais sombrio, principalmente quando se leva em conta a ideia de que o Bolsonaro tem sinalizado que vai fazer o possível e o impossível para levar a vitória na corrida eleitoral.

As consequências dessa realidade populista do presidente são bem caóticas. A começar pelas estimativas de PIB do próximo ano, que vem despencando. Vislumbrando este cenário, podemos considerar que 2022 deve ser um ano de economia muito fraca e com um índice de desemprego cada vez maior. Isso sem falar nos juros que sobem cada vez mais, corroendo o poder de compra dos brasileiros.

Hoje, o único cenário positivo seria com uma trégua definitiva entre os poderes, levando em conta que eles entendem que o Brasil precisa se recuperar o mais rápido possível.

Leia mais sobre a alta da gasolina.

Assista ao vídeo exclusivo sobre o impacto da greve dos caminheiros no mercado financeiro: 

Fabrizio Gueratto
 
 
Fonte: Site Estadão, coluna Fabrizio Gueratto.