Na semana passada, muitas especulações surgiram devido ao sumiço da marca italiana Bottega Veneta das redes sociais.

O questionamento sobre o poder das redes sociais vem do próprio diretor criativo da Bottega, Daniel Lee. Em entrevista à Cultured Mag, o designer afirmou ser um outsider das mídias sociais. 

Eu vejo o Instagram e as redes sociais às vezes, mas acho que muito pode ser perigoso e prejudicial ao processo criativo. Todo mundo vendo a mesma coisa não é saudável ou produtivo. Não cria individualidade.”, disse Lee.

 

Certa vez escutei que se a Coca Cola parar de fazer propaganda pode cair no esquecimento e ver suas vendas caírem.

Será que isso pode acontecer com a Bottega?

Fundada em 1966, a marca italiana Bottega Veneta é reconhecida por três pilares: tradição, qualidade e o trabalho manual cuidadoso com o couro.

Sua assinatura é o “intrecciato”, ou seja, o couro trançado, que representa a importância que a marca dá ao trabalho artesanal.

Apesar de toda a sua herança da qualidade italiana, a Bottega Veneta ganhou destaque a partir de 2001, quando o alemão Tomas Meier assumiu a direção criativa da marca e redesenhou um novo caminho para a label sem tirar sua principal característica: o trabalho manual! Foi ele o responsável por criar o fecho knot da clutch de mesmo nome, e que é sucesso no mundo todo!

Depois, tomou a frente da Bottega Veneta o inglês Daniel Lee, que já havia passado por marcas como Margiela e Celine. Por ser um nome menos conhecido, a escolha sacudiu o mundo da moda e o que foi visto nesse ano de transição foi uma Bottega com linhas mais minimalistas e modernas, investindo também no ready-to-wear (para competir com o universo já estabelecido das fast fashion), mas sem perder seus pilares.

Para garantir o padrão Bottega Veneta, a marca investe sempre em materiais da mais alta qualidade e, com o tempo, passou a adquirir tecnologias especiais para cortar tais materiais de maneira precisa em pequenos pedaços a serem usados durante a tecelagem das peças. Aliando modernidade e história, os artesãos desenvolvem suas habilidades em longos treinamentos e períodos contínuos de práticas, que são passadas de geração para geração.

Se o Instagram virou até plataforma de vendas, exposição de produto e divulgação e novidades, está todo o mundo se questionando o porquê da marca ter abandonado a plataforma.

A ideia de luxo remete a exclusividade e muitas vezes ao inatingível, então, pensando assim, se as redes sociais são de massa, qual o motivo de uma marca de extremo luxo participar delas?

Existe uma tendência de tornar o luxo cada vez mais próximo do cliente, engajá-lo, mimá-lo, proporcionar experiências mas e a contramão da pandemia ??

É fato que a pandemia se dissipará em breve e essa visão já está se adiantando a tudo isso.

No meio do luxo, o cliente não quer desconto, ele quer ser bem tratado, quer ter uma experiência para poucos, e só pensa em sair de casa se realmente valer a pena.

Likes, compartilhamentos e comentários, nesse meio não são necessariamente termômetros de lucro e/ou sucesso.

Sou fã da marca, não é de hoje que um atendimento nas lojas físicas deles envolve muita atenção, cuidado, carinho, cafezinho, champanhe, sorrisos e papo em dia.

Os almoços, eventos e toda a ação que realizam é de um primor e de um vislumbre de futuro inacreditáveis.

Para nós, pobres mortais, as redes sociais ainda fazem diferença, para uma senhora classuda, já consolidada no mercado, que já mostrou ao que veio  mantendo sua elegância até hoje, virou, talvez, apenas distração.  

O tempo dirá !!

Eu quero ser ousado, caso contrário, qual é o ponto? Quero fazer um statement. Não vejo sentido em fazer moda que não diga nada”. Daniel Lee

 

 

Fontes:

www.bobags.com.br
www.promoview.com.br