Se antes dos 40 anos de idade surgirem sintomas como ondas de calor, suores noturnos, irregularidade menstrual, diminuição da libido, insônia, aumento de peso e irritabilidade, atenção: pode ser a menopausa precoce ou falência ovariana prematura (FOP) chegando por aí. Esses são os chamados sintomas do climatério.

O climatério refere-se ao período de transição entre a fase reprodutiva para a não-reprodutiva. A característica principal do climatério é, digamos, o início do fim da função regular dos ovários. Nessa etapa, que começa alguns anos antes da menopausa propriamente dita, os ovários paulatinamente diminuem sua produção de hormônios sexuais femininos, como o estrogênio até que, por volta dos 48/50 anos de idade, encerram suas atividades. Nesse momento, quando não há mais ovulação e cessa a menstruação, a chegada da menopausa então pode ser decretada oficialmente. Mas para definir uma mulher na menopausa ela tem que estar sem menstruar por 12 meses, do contrário ela ainda estará na transição menopausal.

Durante esse período, a mulher experimenta uma série de mudanças físicas, psicológicas e sociais importantes que começam no climatério que teve início alguns anos atrás. Porém, para algumas, a menopausa chega com muito antes — bem no período em que a maioria ainda pode ter filhos. Para você entender melhor sobre menopausa precoce vamos responder as perguntas mais frequentes das mulheres em meu consultório e no ambulatório de climatério da Escola Paulista de Medicina.

1 – O que é menopausa precoce?

É a parada do funcionamento dos ovários na produção dos hormônios sexuais feminino, em especial o estradiol. Consequentemente a mulher começa apresentar os sintomas típicos como – calores, alteração de humor, insônia, cefaleia, dores pelo corpo, diminuição de libido, secura vaginal, tontura, zumbido, aumento da concentração de gordura abdominal, entre outros

2 – Qual a causa mais importante para o seu surgimento?

Não existe uma causa determinante. Ela pode ocorrer por vários fatores como o histórico familiar. Na verdade, a idade da menopausa não está relacionada à época da primeira menstruação, mas sim quando a mãe e as irmãs da paciente entraram em menopausa. As doenças autoimunes podem estar ligadas a menopausa precoce. Há também outros fatores externos que podem antecipar a menopausa, como remoção dos ovários ou de grande parte deles e tratamentos contra o câncer (quimioterapia e/ou radioterapia).

3- Como radioterapia e quimioterapia podem causar menopausa precoce?

Os dois tratamentos têm como objetivo impedir o crescimento celular. Porém, não atingem apenas as células malignas, mas as que também estão sadias. Por isso, entre outros efeitos colaterais, esses tratamentos podem levar a uma falência prematura dos ovários. Existem ainda outras medicações que podem gerar a chamada menopausa química, que ocorre independentemente da idade da paciente, mas assim que a mulher para de usar retorna à fertilidade. Um exemplo é o uso de um medicamento comumente indicado para casos de endometriose. Há também a menopausa precoce cirúrgica, caracterizada pela retirada dos ovários (geralmente, para quem teve diagnóstico de câncer).

4- Existe algum defeito genético que possa provocar a falência prematura dos ovários?

Sim, existem doenças genéticas específicas que provocam distúrbios ovarianos, mas estas não são as grandes causadoras da menopausa precoce. Alterações do cromossoma X, como a Síndrome de Turner ou a Síndrome do X Frágil, podem ser consideradas possíveis causas da falência prematura dos ovários.

5- Como as doenças autoimunes (lúpus) e metabólicas (diabetes) podem interferir no organismo feminino e fazer com que a ovulação e a menstruação terminem mais cedo?

Mulheres que estão em seu ciclo reprodutivo de vida e que sofrem com doenças autoimunes, tais como lúpus e inflamações na tireoide (Tireoidite de Hashimoto), ou de problemas metabólicos como o diabetes, ou ainda infecções virais adquiridas, podem necessitar de medicações que acabam por acelerar o processo da menopausa precoce. Ou seja, não é propriamente a doença que provoca a alteração e, sim, o efeito da utilização da medicação.

6- Como uma mulher pode saber se está entrando nesse quadro?

Uma mulher jovem (antes dos 40 anos) com vários sintomas climatéricos, principalmente irregularidade menstrual, fogachos, insônia, perda de memória, irritabilidade, fadiga excessiva, sudorese noturna podem estar apresentando sinais indicativos de menopausa precoce. Entretanto, para que o diagnóstico seja preciso nessas mulheres fora da idade esperada da menopausa, é indispensável ainda a comprovação das alterações hormonais por meio de exames laboratoriais específicos, em especial dosagem no sangue de FSH e estradiol.

7- Como fazemos o tratamento da menopausa precoce?

O padrão ouro de tratamento se faz com terapia hormonal, só não será realizado caso a paciente tiver contraindicação absoluta (câncer de mama, câncer de endométrio, embolia pulmonar, trombose, lúpus com risco de trombose, infarto agudo do miocárdio). Do contrário, essas mulheres jovens NECESSITAM de hormônio para diminuir morbidade e mortalidade! A falta do hormônio em mulheres abaixo de 40 anos pode trazer enormes riscos cardiovasculares, ósseos, cognitivos, urogenitais e de bem-estar. A terapia hormonal deve ser oferecida, pelo menos, até a idade habitual de uma mulher entrar na menopausa, ao redor dos 50 anos. Além disso, faz parte do tratamento atividade física regular pelo menos 150 minutos por semana, e uma alimentação saudável rica em cálcio.

Por isso a importância da visita anual no seu ginecologista pois a detecção precoce deste evento vai trazer grandes benefícios a saúde da mulher.

Não hesite em procurar ajuda médica caso você identifique os sintomas abordados nesta matéria. A instalação rápida do tratamento aumenta expectativa de vidas nas mulheres que entram em falência ovariana prematura, fiquem de olho!!!

 

FONTE: SOBRAC

Dra. Rita Dardes
@ritadardes