Vamos conhecer um pouco sobre o câncer de mama, que é uma doença que mais aflige as mulheres. Certamente por ser algo que mexe com a sexualidade da mulher e afeta a sua autoestima. A melhor maneira de diminuir a mortalidade por câncer de mama e conhecer a doença, fazer os exames necessários e realizador o tratamento o mais rápido possível.

O câncer de mama é o mais incidente entre as mulheres no mundo, com aproximadamente 2,3 milhões de casos novos estimados em 2020, o que representa 24,5% dos casos novos por câncer em mulheres. É também a causa mais frequente de mortalidade por câncer nessa população, com 684.996 óbitos estimados para esse ano (15,5% dos óbitos por câncer em mulheres).

No Brasil, o câncer de mama só fica atrás dos tumores de pele não melanoma, sendo este o mais incidente em mulheres de todas as regiões, com taxas mais altas nas regiões Sul e Sudeste. Para o ano de 2021 foram estimados 66.280 casos novos, o que representa uma taxa de incidência de 43,74 casos por 100.000 mulheres.

A taxa de mortalidade por câncer de mama, ajustada pela população mundial, foi 14,23 óbitos/100.000 mulheres, em 2019, com as maiores taxas nas regiões Sudeste e Sul, com 16,14 e 15,08 óbitos/100.000 mulheres, respectivamente. O câncer de mama é a primeira causa de morte por câncer na população feminina em todas as regiões do Brasil, exceto na região Norte, onde o câncer do colo do útero ainda ocupa o primeiro lugar.

Pandemia agravou casos da doença

Em 2020, muitos pacientes deixaram de frequentar os consultórios médicos por conta da pandemia pelo Covid-19. Devido à crise, especialistas estimam que o número de pessoas com câncer em estágio avançado deve ser ainda maior nos próximos dois anos. Segundo levantamentos recentes feitos por entidades médicas mostram que, nos primeiros meses da pandemia, 70% das cirurgias oncológicas foram adiadas. Além disso, estima-se que cerca de 75 mil brasileiros que deixaram de receber diagnósticos neste período.

No Brazilian Breast Cancer Symposium 2021 foi demonstrado que os resultados datasus houve redução de 40% na realização de mamografia em 2020 comparado 2019!! O cancer de mama não espera e a unica maneira da gente vence lo é por meio da detecção precoce e do tratamento assertivo e rapido.

Sintomas

O sintoma mais comum de câncer de mama é o aparecimento de nódulo, geralmente indolor, duro e irregular, mas também há tumores de consistência branda, globosos e bem definidos. Outros sinais da doença são edema cutâneo semelhante à casca de laranja; retração cutânea; dor (raro), inversão do mamilo, hiperemia, descamação ou ulceração do mamilo; e secreção papilar, especificamente quando é unilateral e espontânea. A secreção associada ao câncer geralmente é transparente, podendo ser rosada ou avermelhada devido à presença de sangue. Além disso, também surgir linfonodos palpáveis na axila.

Prevenção e a importância do terceiro setor

A prevenção é ainda o melhor meio de se combater o câncer e a conscientização da população sobre os exames preventivos se faz necessária. Entidades de saúde como a União e Apoio no Combate ao Câncer De Mama (Unaccam) e tantas outras devem não só propagar, mas participar dessa luta contra o câncer, com o objetivo de alertar o grupo de risco, que é composto em sua maioria, por mulheres com idade acima de 40 anos. O trabalho dessas entidades não se limitam a propagar a campanha do auto conhecimento e fatores preventivos, como também informar sobre a detecção e tratamento, para aumentar as chances de sucesso na luta contra a mortalidade da doença.

Diagnóstico

A mamografia é o principal exame a ser realizado para o diagnóstico, e o único que estatisticamente mostrou ganho de sobrevida. A ultrassonografia associada complementa esse exame, sendo assim, o mais eficiente na visualização de nódulos, mostrando a diferenciação entre áreas sólidas e císticas, particularmente nas mamas densas. Estes exames não podem ser negligenciados, devem e precisam ser realizados na periodicidade determinada pelo médico.

Sendo assim, a idade ideal para se fazer a primeira mamografia é aos 40 anos, e a partir daí com periodicidade anual. Em casos específicos, este exame pode ser antecipado, ou ter sua periodicidade diminuída, sempre sob supervisão médica.

Existe hoje um aliado de exame de imagem para a detecção do câncer de mama, que em geral é um exame complementar a mamografia, chamada ressonância magnética das mamas com contraste. Este exame é de suma importância em especial para pacientes de alto risco, que apresentam mutações genéticas (BRCA1, BRCA2).

Tratamento

1. Cirúrgico

2. Radioterápico

3. Quimioterápico

4. Hormônio terapia

5. Terapia alvo (anticorpos monoclonais)

6. Imunoterapia

Nos dias de hoje o tratamento cirúrgico tende a ser conservador, isto é, quadrandectomia (retirada de parte da mama, conservando a mama). Mas sempre no tratamento conservador temos que complementar com a radioterapia para evitar recorrência local.

A quimioterapia em geral deve ser aplicada em certos tumores, como os triplo negativos (Receptor de estrogênio, progesterona e HER2 negativos). Também utilizamos nas mulheres que apresentam linfonodos axilares acometidos pelo câncer de mama. A maioria das quimioterapias agem impedindo a divisão das células e causam danos nas moléculas do DNA e/ou RNA. Como estes compostos regulam a multiplicação de TODAS as células humanas, sejam elas tumorais ou não, a possibilidade da ação da quimioterapia se estender às células saudáveis e causar efeitos colaterais é grande (queda de cabelo, naúseas, queda de plaquetas, anemia…).

A hormônio terapia é realizada como tratamento adjuvante nas mulheres com tumores receptores hormonais positivos (confirmado pela a imunohistoquímica), por meio dos inibidores da aromatase ou do tamoxifeno (modulador seletivo do receptor de estrogênio).

Em nossas células existem diversas proteínas/moléculas que formam “pontes” para o funcionamento adequado das células. As células do câncer também possuem moléculas com esse mesmo papel. Atacá-las é o objetivo da terapia alvo. Como temos um ALVO que está mais expresso nos tumores, os efeitos colaterais sobre as células normais é pequeno. Nem todo câncer de mama necessita de terapia alvo.

Vamos citar a terapia alvo mais utilizada nas pacientes com câncer de mama que apresentam certas caractéristicas e são elegíveis para o seu uso:

· Anti-HER2 (para tumores HER2 positivos): trastuzumabe, o pertuzumabe, lapatinibe e trastuzumabe-emtasina;

· Bloqueadores de CDK4/6 (para tumores receptores hormonais positivos, Her2 negativos metastáticos): palbociclibe, ribociclibe e abemaciclibe;

· Bloqueadores da mTOR(também para o mesmo perfil anterior): everolimus.

Em geral, a imunoterapia é usada para doenças mais avançadas e subtipos específicos. Da mesma forma que a terapia alvo, a decisão é caso-a-caso. Dependemos de vários exames, entre eles a imunohistoquímica para optar pelo seu uso. A imunoterapia é uma opção completamente diferente da quimioterapia (onde o foco é o ataque a célula cancerígena). A imunoterapia age aumentando a imunidade dos pacientes, para que o organismo fique protegido do ataque de células que sejam diferentes das normais (no caso, as de câncer). Como as células normais não são acometidas (como na quimioterapia), os sintomas são muito menores. Esses pacientes não têm queda de cabelo, náusea, etc. Porém, com a imunidade exarcerbada reações como alergias, diarréia e infecções no pulmão podem acontecer.

A IMUNOTERAPIA para câncer de mama: é uma droga anti-PDL1 chamada Atezolizumabe, indicada como o PRIMEIRO tratamento em pacientes triplo negativas com metástase.

Com todos esses avanços na detecção precoce e no tratamento hoje o câncer de mama se tornou uma doença crônica e que a mulher pode ter qualidade de vida, mesmo no câncer metastático.

Cuide-se e faça sua mamografia anualmente a partir dos 40 anos e sua visita regular ao ginecologista!! Vamos todas ficarem atentas nas mamas e em qualquer sinal de alerta procure o seu médico

Dra. Rita Dardes

Professora Adjunta do Departamento de Ginecologia da Escola Paulista de Medicina/ UNIFESP
Vice Chefe da Disciplina de Ginecologia Endócrina e Climatério da Escola Paulista de Medicina/ UNIFESP
Membro da Comissão Nacional Especializada de Climatério da FEBRASGO

Dra. Rita Dardes
@ritadardes