A cidade de Maranello, no norte da Itália, é conhecida como a casa da Ferrari. É na região que está a linha de produção de seus superesportivos e o museu onde ficam expostos tanto modelos clássicos, criados desde a fundação da montadora, na década de 1940, quanto alguns dos lançamentos mais desejados do mundo. A cidade respira gasolina e tem como trilha sonora o ronco inconfundível de motores hiperpotentes. No último final de semana, Maranello ganhou mais um diferencial. Desta vez, não pelo design dos veículos e sim pelo das roupas. Na passarela, a primeira coleção prêt-à-porter assinada pela Ferrari.



As peças apresentadas no desfile são assinada por Rocco Iannone. Antes de assumir a posição de diretor criativo da Ferrari, ele trabalhou na grife italiana Pal Zileri, foi designer de peças masculinas da Giorgio Armani e passou pela Dolce & Gabbana. Suas peças evocam as cores clássicas dos carros da montadora, em especial o vermelho e o amarelo, mas a inspiração principal vem do streetwear mais sofisticado, com camisetas ostentando o logo da Ferrari em tamanho gigante, além de tiras reflexivas e tecidos emborrachados que remetem às pistas de corrida.



A coleção também tem foco na diversidade. Todas as peças serão oferecidas em tamanhos pequenos (XXXS) e grandes (XXXL), e cerca de 80% delas são “agênero”, ou seja, podem vestir homens e mulheres.
Para a professora da ESPM e especialista em mercado de luxo Lilyan Berlim, “a Ferrari se posiciona como um avatar da estética italiana”. Isso porque poderá alcançar um público que não era contemplado pelos carros da marca. “São consumidores loucos por novidades e de olho nas tendências de lifestyle”, disse.


Daí a aposta da marca em algo que vai além da exclusividade para se tornar motivo de engajamento com a marca.

As bandeiras levantadas pela Ferrari na moda parecem não combinar com seus carros esportivos. E é esse paradoxo que pode tornar as roupas da grife mais atraentes para uma geração que nem sequer liga para automóveis — mas valoriza causas.


“Contemplar a diversidade de formas do corpo e incorporar materiais sustentáveis na confecção das peças traz as narrativas atuais para dentro da marca”, afirmou Lilyan.


Entrar no mercado de moda é um passo importante para democratizar a marca sem perder a exclusividade com a qual a Ferrari está associada. Um equilíbrio delicado que vem sendo construído também por grifes tradicionais, como Gucci e Louis Vuitton. Elas buscam ampliar sua relevância cultural oferecendo peças digitais em games ou explorando as demandas sociais de seus futuros consumidores. É uma maneira de ampliar o “capital simbólico” — fator decisivo no momento de estabelecer o preço das roupas.

No lugar de Off-White, um dos assistentes já havia batizado a estreia da Ferrari como “Off-Red”, em referência ao lendário Testarossa de 12 cilindros da marca.


Na passarela uma coleção inspirada no desenho do automóvel, seu símbolo que permearam por materiais técnicos e tecnológicos.


Na cartela de cores não poderia ficar de fora o “obvio”: amarelo e vermelho que foram predominantes. 


Muito volume. Casacos grossos e peças esportivas em tecidos como o nylon leve.


O passo dado pela Ferrari pode não parecer tão inovador. Montadoras alemães, com BMW e Porsche, já licenciam suas marcas para roupas e outros produtos relacionados, como malas de viagem, bolsas, bonés e chaveiros. A própria Ferrari já vendia relógios e macacões em suas lojas. A diferença agora é dissociar a coleção de roupas daquilo que um fã da marca busca como souvenir. Ao entrar no mundo fashion, a Ferrari briga pela pole position do circuito das marcas mais desejadas.


Fontes:

http://www.istoedinheiro.com.br
http://www.correiodoestado.com.br