Esse vinho é muito tânico?

Esse vinho é muito tânico?

Se você aprecia vinhos já deve ter ouvido alguém usar termos como “esse vinho é muito tânico”, ou “os taninos estão mal resolvidos”. Bom mesmo é quando “os taninos estão um verdadeiro veludo”.

Você sabe o que são taninos e qual o papel deles no vinho?
Taninos são polifenóis, cuja função é proteger a uva de predadores, com seu sabor amargo e adstringência. Eles podem ser encontrados na casca, semente e engaço da uva. Como os vinhos brancos são vinificados sem contato com as cascas, quase não possuem taninos. Outros alimentos como banana verde, chá preto e chocolate também possuem taninos.

São os taninos que causam aquela sensação de adstringência na língua. Eles se unem a saliva e fazem com que a boca seque, deixando a língua com a sensação de que é áspera. Uma sensação de textura e não sabor. Com certeza não é uma sensação agradável! Um vinho equilibrado e pronto para beber não deveria causar essa sensação.

Dependendo da variedade da uva, a concentração de taninos é maior. Quanto mais grossa a casca, maior a quantidade de taninos que podem ser extraídos dela. Tannat é campeã neste quesito. Cabernet Sauvignon e Nebbiolo também possuem altas concentrações de taninos. As uvas de cascas mais finas, como Pinot Noir e Cabernet Franc, produzem vinhos mais delicados e de textura mais leve. Mas não quer dizer que não possuem taninos> Apenas uma concentração menor.

O estilo de vinificação influencia bastante o resultado final de como sentimos o tanino no vinho. O tempo de contato com a casca e a temperatura em que ocorre a fermentação são algumas das etapas que determinam maior ou menor presença de taninos em um vinho. A passagem por madeira pode ajudar a “domar” taninos – a microoxigenação que ocorre nas barricas de madeira ajudam a polimerizar os taninos, deixando-os mais macios.

Os taninos são importantíssimos para dar estrutura e potencial de guarda a um vinho. Vinhos como o Brunello de Montalcino precisam de muitos anos para que seus taninos possam se polimerizar e se tornem agradáveis. O mesmo acontece com alguns vinhos de Bordeaux, extremamente tânicos quando jovens. À medida que envelhecem, estes vinhos vão ganhando complexidade e ficando cada vez melhores. Vale lembrar que apenas cerca de 10% dos vinhos produzidos no mundo tem capacidade de envelhecer. Os que possuem uma grande concentração de taninos – equilibrada com o álcool, acidez e a presença de fruta- são os que possuem potencial de guarda.
Além disso, os taninos são bons para a nossa saúde, por possuírem efeitos antioxidantes. Muitos médicos recomendam doses moderadas de vinho tinto todos os dias para proteger nosso coração. Alguns dizem que o tanino piora a enxaqueca para aqueles que têm propensão à doença, mas não existem estudos suficientes para provar isso.
Na hora da harmonização com comida, vinhos tânicos são perfeitos para harmonizar com proteínas e gorduras. Por isso churrasco combina tão bem com Malbec e Tannat. 

Já a harmonização de vinhos tânicos com peixes deve ser evitada , pois pode produzir um sabor metálico muito desagradável na boca.

 

Daniella Dinis
Sommelière

/daniella.w.dinis
@danielladinis