Durante um almoço da grife Jemap no Palácio Tangará, fui apresentada a Fernanda Herbella e de cara já a adorei. O papo fluiu, demos risadas e, na hora que perguntei o que ela fazia, me encantei mais ainda.
 
Fernanda é delegada da Polícia Civil no Aeroporto de Congonhas!!!
 
Fiquei super curiosa para saber mais sobre esse mundo que sempre me chamou atenção. Gosto de assistir filmes, séries e realities que envolvam investigação e psicologia. Até, por curiosidade, um dos filmes preferidos tanto por mim quanto por Fernanda é o Silêncio dos Inocentes que, em minha época de faculdade de Psicologia usei como base para um trabalho nota dez.
 
Marquei então, de ir até a delegacia em uma tarde de véspera de feriado para bater um papo com ela, conhecer as instalações da delegacia e saciar minha curiosidade sobre a presença feminina em ambiente dito, até pouco tempo atrás, masculino. Existe uma cela no recinto e que no dia estava vazia.
 
Confesso que ir até uma delegacia não é exatamente um programa pois sempre existe um problema acontecendo para que precisemos ir até uma. Mas, como eu sou super curiosa fui super animada.
 
Eu mesma devo ter ido a uma delegacia presencialmente umas 3 vezes, pois de um tempo pra cá, a delegacia eletrônica ajudou bastante e poupou bastante trabalho, dependendo claro do tipo de crime ou delito que aconteceu e que pode ser registrado eletronicamente.
 
Ao lado da delegacia de Congonhas tem uma floricultura e fiz questão de passar por lá antes de entrar para levar flores como agradecimento, e pensei também em levar a feminilidade e delicadeza da flor para dentro do ambiente.
 
Quando finalmente entrei na delegacia com flores na mão, lá veio ela, do alto de sua elegância e corpo esguio, chiquérrima e super bem vestida. Reparei apenas nos acessórios que carregava pendurados no pescoço, como o distintivo e um chaveiro que era uma pequena arma cor de rosa.
 
Fomos direto para a sala dela onde trabalha sozinha. Sua mesa e as prateleiras da sala são uma extensão de sua casa e dos vários momentos e premiações de sua vida e carreira.
 
Falando nisso, em 2003, Fernanda na época com 25 anos, passou 10 semanas nos Estados Unidos no curso de especialização da Academia do Federal Bureau of Investigation (FBI), em Quantico, no Estado da Virginia. Lá, aprendeu as mais avançadas técnicas da investigação policial.
 
Fernanda foi a primeira policial civil brasileira convidada a participar desse curso, fazendo parte de uma turma de 230 alunos (205 americanos e 25 estrangeiros), que participou de uma maratona de aulas e exercícios físicos.
 
Desde então e até hoje ela aplica seus conhecimentos adquiridos no FBI na investigação de fraudes em caixas eletrônicos e nos sistemas informatizados das companhias aéreas, além dos golpes de estelionatários (as ocorrências mais frequentes em Congonhas).
 
Fernanda também escreveu um livro que rendeu até a honra de sentar no sofá do Programa do Jô Soares em 2008. O livro se chama Algemas e a Dignidade da Pessoa Humana. A obra, escrita em uma linguagem simples, discorre sobre todas as esferas jurídicas que se relacionem com o uso de algemas. Inicia com o histórico da criação das algemas até a recente manifestação do Supremo Tribunal Federal em relação ao tema. A leitura leva a uma análise entre a real necessidade de algemar e o confronto com a possível violação ao princípio da Dignidade da Pessoa Humana.
 
Nosso papo avançou e perguntei como foi parar em uma delegacia e ela disse que sempre quis fazer parte da polícia. O esperado na sua família de policiais era até que seu irmão seguisse a carreira mas no fim foi ela mesmo que sempre gostou desse universo.
 
Contou um episódio de quanto tinha 7 anos de idade e durante um almoço na casa de amigos de seus pais acabou encontrando uma algema antiga sobre um móvel e acabou travando a algema nos punhos. Disse que levou cerca de 1 hora até acharem as chaves. Ela acha até que esse episódio possa ter contribuído para suas escolhas profissionais e no tema do livro também.
 
Então logo que entrou na faculdade de Direito já prestou concurso para investigadora se envolvendo mais ainda nesse mundo.
 
Enquanto papeávamos, Fernanda continuou seu trabalho, um entra e sai de colaboradores, investigadores, etc. E ficou nítido e nem era preciso ela me contar que ama o que faz, com seu jeito de menina e super elegante carrega um brilho no olhar e uma simpatia ímpar, mesmo falando de assuntos de investigação, armas, apreensões, drogas, estelionatos, etc. Durante o tempo que passei lá recebeu alguns whatsapps trazendo ótimas notícias sobre investigações e ela, naquele momento, parece ter ganhado o dia, tamanha sua felicidade com o desfecho da situação.
 
Achei incrível Fernanda me relatar com toda sua sinceridade que, JAMAIS se sentiu discriminada nesse ambiente por ser mulher, dizendo com toda a propriedade que lhe compete que em mais de 20 anos de história na polícia sempre foi tratada conforme seu cargo e ser mulher não interferiu em nada.
 
São exemplos como os de Fernanda que me fazem, mesmo do alto de meus 45 anos, enxergar a infinidade de possibilidades que a vida oferece. Enxergar que as limitações para fazer, ser ou buscar algo novo, quem coloca somos nós mesmas e que experimentar novas coisas, ir a lugares novos, abrir a cabeça para o mundo e suas variadas manifestações só nos trazem benefícios.
 
Acredito que a maior forma de libertação para experimentar o novo é deixar de se preocupar com a opinião dos outros. A partir daí o mundo e tudo nele é todo seu.
 

Dani Mollo
/daniela.mollo.7
@danimollo

 

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