Segundo a Wikipédia, doula é uma assistente de parto, sem necessariamente formação médica, que acompanha a gestante durante o período da gestação até os primeiros meses após o parto, com o foco no bem estar da mulher.
 
Quando estava grávida pela terceira vez, fiquei com muita vontade de fazer o parto além de normal, de forma natural sem anestesia. Na época comentei com meu médico obstetra Dr. Carlos Czeresnia que é um incentivador do parto normal e adorou a ideia.
 
Minhas 2 gestações anteriores e partos foram tão tranquilos, e eu cheguei ao hospital com tanta dilatação, que pensei que poderia nessa terceira vez encarar o mais natural para o corpo e para o bebê também.
 
Desde o começo achava inconcebível interromper , via cesárea eletiva, um movimento e evolução natural do processo de gravidez. Pensava que eu era o “forno” mas aquele ser humano que estava dentro de mim detinha todo o direito de nascer quando ele quisesse, quando estivesse pronto e maduro para tal.
 
Na noite do dia 20 de março de 2006 as contrações começaram e já percebi que a evolução desse trabalho de parto seria muito rápida. Morava a 5 minutos da maternidade e quando cheguei lá eu já estava com quase 7 dedos de dilatação, num ponto que pulei uma etapa que havia passado nas minhas 2 outras gestações e fui direto para a sala de pré parto.
 
E daí? E daí que eu sozinha com aquela vontade inicial de não usar anestesia não encontrei apoio para que naqueles minutos que perguntam se quer ou não a anestesia dissesse que queria natural.
 
O que faltou? APOIO de alguém especializado, que me incentivasse dando alternativas a anestesia. Alguém para olhar nos meus olhos passando calma e segurança para que lembrasse de quanto poder eu tinha naquele momento.
 
Nessa semana de Dia das Mães esse assunto voltou na minha cabeça e convidei uma amiga e xará da faculdade que é doula, a Dani Andretto para um papo na minha casa que depois evoluiu para um papo na casa da Carol, que teve a Joana há 15 dias de modo totalmente natural.
 
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A Dani é psicóloga especializada em psicologia hospitalar e em intervenções com famílias, com mestrado pela Faculdade de Saúde Pública da USP, doula e conselheira em aleitamento materno. Atuou durante 10 anos em maternidades, com projetos de humanização de atendimento e aleitamento materno. Acredita e comprova a cada acompanhamento que a qualidade da assistência e apoio recebidos durante a gestação, parto, nascimento e início da vida são preciosos para a contribuição da vinculação nas relações humanas e construção de uma sociedade mais acolhedora. Na Casa Moara, Dani oferece atendimento psicoterapêutico, aconselhamento em aleitamento materno (inclusive domiciliar), além de ajudar a coordenar os grupos de gestantes e grupo de pós-parto. Sente-se feliz e agradecida por acompanhar cada nascimento e cada família em seu despertar e reconhecimento.
 
Achei muito legal o papo que batemos e a cereja do bolo foi conversar pessoalmente com quem passou pelo processo há poucos dias.
 
Pretendo, com essa matéria e dicas de vídeos e sites que darei no final do texto, fazer as pessoas tirarem alguns rótulos sobre o trabalho da doula, como por exemplo:
 
– quem curte isso é bicho grilo, é gente alternativa
– é perigoso
– é só aplicável em parto normal
– tem que ser feito em casa, na água, etc!
 
Primeiro é necessário que haja uma diferenciação entre a doula e o profissional de saúde que estará envolvido no processo (médico, enfermeira, obstetriz, parteira). A doula faz um curso de 40 horas de fisiologia do parto para ter conhecimento mas o intuito é promover o bem estar da mulher, fazendo-a se conectar com ela mesma oferecendo uma série de técnicas de alívio da dor sem utilização de medicação, o trabalho dela é emocional e psicológico, de suporte e apoio. A doula não atua em cesárea eletiva.
 
 
Existem instituições onde você pode se formar como doula. As cargas horárias variam e podem chegar a mais de 100 horas de treinamento(sites no final do texto).
Não há necessidade que o parto seja em casa, na água, na banheira, etc. Essa decisão cabe a mãe e aos profissionais que precisam estar atentos a todos os sinais dados pela gestante e colocar na equação junto ao: tempo de deslocamento casa/maternidade, por exemplo.
 
Normalmente o que acontece é um acompanhamento, por parte da doula, da gestante em casa, assim que ela avisa do início das contrações, e aí vão sendo aplicadas as técnicas de alívio da dor até as contrações estabilizarem a ponto de começar a fase expulsiva, de empurrar. Às vezes, toda uma programação prévia precisa ser revista pois, obviamente, pode haver alguma intercorrência.
 
A importância da doula, depois de ter escutado 3 opiniões, pra mim se faz gigante, e, não pensaria duas vezes em contar com esse apoio.
 
Larissa Cirino, disse que as conversas com sua médica e também com a parteira eram mais técnicas, enquanto que com a doula eram mais emocionais, com uma carga de cumplicidade muito grande, tornando todo o processo mais agradável e humano. Ela teve contato com o parto humanizado com amigos próximos e antes mesmo de pensar em engravidar já se interessou pelo método.
 
Larissa teve um parto induzido devido a sua diabetes gestacional com 3 dias de acompanhamento. A indução precisou ser medicamentosa mas tudo acabou com um parto normal em hospital. Lembra-se até hoje de escutar a palavra “coragem”, que a Dani dizia em seu ouvido.
 
 
Fui até a casa de outra gestante que passou por todo o processo desde a gestação, parto a amamentação/pós parto. A Carol teve a Joana há 2 semanas e é a segunda filha dela que teve seus 2 partos humanizados e naturais.
 
Carol é a calma e serenidade em pessoa e a ajuda da Dani só veio consolidar essa característica durante o trabalho de parto que é a fase mais crítica, digamos assim, de todo o processo.
 
Disse que ao decidir sobre o parto humanizado, seu trabalho inicial foi convencer o marido e sua família da segurança do processo e da ajuda especializada que poderia contar. Para isso levou o marido para alguns cursos na Casa Moara e estudou muito, se encheu de informação para assim alimentar sua coragem e força.
 
Carol teve suas duas filhas de parto normal e natural em hospital, sua recuperação foi maravilhosa, não teve problema algum com amamentação ou no pós parto. Aliás, a doula terá uma consulta pós parto que a própria mãe sinalizará quando: se ainda na maternidade, se em casa depois de alguns dias, depois da descida do leite, etc.
 
 
Outra gestante que a Dani acompanhou foi a Jéssica Ferrari. A princípio seria um parto normal mas teve indicação de cesárea intraparto que é decorrente de uma indicação clínica de cesárea necessária e não eletiva com hora marcada. Houve a ruptura da bolsa, Jéssica ficou em trabalho de parto no hospital mas a posição do bebê inviabilizou fazer a vesão cefálica do parto precisando então ser cesárea intraparto.
 
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Doula se trata de uma profissão que visa o bem estar e conforto da mulher, com informações baseadas em evidências científicas, e não é uma profissão técnica, não se fazendo necessário um conselho regional, como eu tenho um CRP (Conselho Regional de Psicologia), por exemplo.
 
Mas a ocupação está regulamentada na classificação brasileira de ocupação sobre o código 322135 e já existem associações representativas com código de ética, como a ADOSP – Associação de Doulas de São Paulo.
 
Repito, tendo uma doula ao meu lado, no ambiente hospitalar que escolhi e com o obstetra que elegi, teria o incentivo, a calma e a motivação necessárias para ter tentado o parto natural na última gestação que tive em 2006.
 
Ouvir os depoimentos cheios de emoção e entrega, provam o quanto a doula faz a total diferença na hora principalmente do parto. Às vezes o pai da criança fica nervoso ou não está presente, seus familiares com boas intenções podem, às vezes, mais atrapalhar que ajudar naquela hora de contrações e ter alguém para que te lembre o tempo todo que é capaz é fundamental, lindo e humano.
 
Por um mundo menos mecanizado, mais humano, mais perto de nossas raízes…
 
 
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No Netflix: O Renascimento do Parto
 
Créditos:
Fotos Parto 1 e 2: Katia Ribeiro @katiaribeirosouza_ Fotos parto 3: Bia Takata @biatakata
 
 
Dani Mollo