Outubro findou-se, mas a necessidade de conscientização sobre o câncer de mama continua pelo ano todo.

O câncer de mama é o que mais mata a mulher brasileira e o mais comum depois do câncer de pele não melanoma. Para o ano de 2020 é esperado, segundo o Ministério da Saúde, mais de 66.000 casos novos da doença. Uma em cada 10 mulheres desenvolverá câncer de mama durante sua vida e por isso temos que conhecer essa doença que hoje em dia se tornou crônica e com alto poder de cura.

Os avanços científicos e tecnológicos para detecção e tratamento do câncer de mama são expressivos. No entanto, os cuidados não podem ser deixados de lado.

Não se sabe o que causa o câncer de mama! O câncer de mama é multifatorial. Temos fatores que podemos modificar e aqueles que não podemos.

Vamos falar um pouco no que a gente pode intervir: manter o peso corpóreo, especialmente depois da menopausa; reduzir o consumo diário de álcool para menos de 2 doses; praticar regularmente atividade física de moderada a alta intensidade; alimentação balanceada; não ao tabagismo; estimular a amamentação; maior cuidado com o uso crônico da terapia hormonal.

Os fatores de risco imutáveis seriam: ser mulher, uma vez que o câncer de mama acomete 99% mulheres e 1% os homens; a idade, já que o câncer de mama aumenta conforme envelhecemos; não ter filhos, ou ter filho depois dos 30 anos; histórico familiar (principalmente parentes de primeiro grau acometidos com a doença antes da menopausa); lesões precursoras do câncer de mama (resultado de biópsia como hiperplasia atípica, neoplasia lobular atípica); irradiação torácica na juventude (no tratamento de linfoma).

Para detectarmos o câncer de mama devemos fazer 3 procedimentos: autoconhecimento a partir dos 20 anos + mamografia anual a partir dos 40 anos + visita anual ao ginecologista.

O autoconhecimento (autoexame) serve para identificar os sinais de alerta como caroços, mudanças na aparência ou descamação, vermelhidão, dor, saída de secreção espontânea do bico do peito. Ele deve ser realizado nas mulheres que menstruam no período pós menstrual, e na ocorrência de qualquer um dos sinais, a mulher deve procurar seu médico. Nem sempre as alterações encontradas nas mamas são relacionadas a um tumor maligno, somente o especialista, por meio de exames de imagem (mamografia e ultrassom) e muitas vezes pela biópsia conseguirá diferenciar. Na maioria das vezes, os nódulos serão benignos, mas merecem atenção. Há nódulos que nos exames de imagem têm características benignas, como fibradenoma, cistos e lipoma. Mas quando há suspensão de um nódulo, pelas suas características nos exames de imagem (mamografia e/ou ultrassom), devemos partir para uma biópsia para nos certificarmos.

É essencial a visita anual ao seu ginecologista para fazer os exames de rotina (rastreamento) e o exame clínico das mamas pelo médico (maior sensibilidade e especificidade do que o autoexame) pois esses são determinantes para a descoberta precoce do câncer de mama.

A mamografia é o principal exame diagnóstico para o câncer de mama, e ela deve ser realizada anualmente a partir dos 40 anos na população em geral e a partir de 35 anos em mulheres de alto risco, segundo a Sociedade Brasileira de Mastologia. A mamografia demonstrou redução da

mortalidade por câncer de mama em 30%, e é o exame de eleição para a sua detecção precoce. E ainda utilizamos a ultrassonografia como um método complementar à mamografia, em especial em mulheres com mamas densas (ricas em tecido glandular e pobre em gordura). Temos também a Ressonância Magnética que é muito utilizada em mulheres com risco elevado para câncer de mama.

No Brasil, o diagnóstico do câncer de mama tem ocorrido aos 50 anos, diferentemente das mulheres europeias que em geral são acometidas ao redor dos 60 anos. Portanto nosso rastreamento deve começar cerca de 10 anos antes, isto é, aos 40 anos.

Nos últimos anos, as cirurgias de câncer de mama estão ficando cada vez menos agressivas, em muitos casos. E com o advento da reconstrução mamária, mesmo as mulheres que tenham que ser submetidas a uma retirada completa das mamas elas ficam com grande sucesso estético.

Outro avanço importante no tratamento do câncer de mama é na radioterapia que se tornou mais efetiva com tratamentos mais curtos, com menos sessões, com equipamentos capazes de planejar a radiação poupando órgãos e tecidos nobres.

Menos pacientes precisam de quimioterapia atualmente, pois testes moleculares sofisticados (como oncotype) conseguem avaliar melhor a necessidade de realizar a quimioterapia pós-tratamento cirúrgico.

Hoje em dia as mulheres com doenças metastáticas conseguem diversos tratamentos que asseguram um aumento na expectativa e qualidade de vida. O câncer de mama não é sentença de morte e sim uma doença que quando diagnosticada precocemente tem chance de cura em mais de 95% dos casos. E se por infelicidade for detectada em um estádio mais avançado a mulher consegue sobreviver cronicamente com a doença por muitos anos e com bem-estar.

Fonte: Ministério da Saúde, Oncoguia, Sociedade Brasileira de Ginecologia

Dra. Rita Dardes
@ritadardes