É inegável, que em qualquer setor da sociedade, a pandemia provocou mudanças. Muitas delas ótimas, algumas necessárias e que postergávamos acabaram acontecendo, e desde a rotina de nossa casa até o funcionamento de grandes empresas e corporações mudanças inegáveis aconteceram.

E o mercado de luxo? Apesar de conviver com altas cifras e vendendo desejo e ostentação o comportamento do consumidor deve mudar.

Desfiles de moda que eram verdadeiros shows, altamente produzidos e onde milhares de dólares eram investidos passam a ser virtuais, a ostentação de bolsas, sapatos e roupas, segundo alguns especialistas, não deve “pegar” tão bem.

Assisti a uma live na semana passada com especialistas em moda como minha xará Dani do Fashion Meeting e Paula Martins estilista, jornalista e curadora de moda que identificaram que o comportamento do consumidor brasileiro já começou a valorizar mais o consumo de marcas locais, nacionais, mais artesanais!!! Importante também dizer que as marcas que queiram conquistar e fidelizar o consumidor preocupado com sustentabilidade e muita qualidade de produtos importados terão que “correr atrás” de se adequar a práticas sustentáveis assim como buscar conhecimento para que a qualidade de seu produto seja elevada.

 
Cláudio Diniz postou 2 vezes nessa última semana sobre esse tema, dizendo que o Mercado de Luxo será penalizado até 2021, mas deve retornar  o  crescimento  em 2022
 
Segundo o relatório da Deloitte “Pesquisa Global sobre Moda e Luxo em Private Equity e Investidores 2020”, após um declínio em 2020, o mercado de luxo deverá crescer de 2% a 2,5% ao ano até 2025.

Segundo ele esse crescimento deve chegar a 10% entre 2019 e 2025. As vendas dos bens pessoais de luxo terão um crescimento anual positivo de 1,9%.

Os demais segmentos de luxo serão penalizados mais a curto prazo, mas suas vendas deverão aumentar 20% a longo prazo.

A Capri Holding que engloba a Versace, Jimmy Choo e Michael Kors irá fechar 170 lojas e estima uma queda de 70% na receita de vendas do primeiro trimestre de 2020.

A empresa prevê tempos difíceis até o segundo semestre de 2021 e por isso, irá fechar definitivamente 170 lojas em todo mundo, sendo a maioria da Michael Kors.

Segundo relatório da Altagamma, BCG and Bernstein, o mercado de luxo pode enfrentar um declínio de 10 bilhões de euros nas vendas.

Uma reportagem da Forbes de abril revelou importantes dados, quatro profissionais de luxo da McKinsey, Digital Luxury Group e Lamborghini se juntaram em um webinar focado no significado da crise do coronavírus para as indústrias de luxo.

Os 55 participantes executivos concordaram em um paradoxo: eles sentiram que a incerteza, mas também o otimismo, melhor caracterizavam o clima de suas indústrias. Uma pesquisa instantânea revelou que 10% consideraram que a crise seria negativa para os negócios, 24% estavam incertos sobre seu impacto e dois terços acreditavam que traria mudanças positivas.

A incerteza em torno da extensão projetada da crise foi uma grande preocupação. E, embora o luxo sempre tenha se saído bem em momentos turbulentos —como nas décadas de 1930 e 1940–, a indústria era consideravelmente menor durante os anos de depressão do que é hoje em dia.

Nessa matéria da Forbes, eles listam 5 mudanças que a pandemia deu um empurrãozinho para que acontecessem, vejam:

1 – Segundo Achim Berg, líder global do grupo de vestuário, moda e luxo da McKinsey, antes da Covid-19 já havia uma diferença entre vencedores e perdedores do setor. Os operadores do mercado de moda ou relógios sairão mais fortes da crise. Eles já têm marcas fortes, ganham seu custo de capital e confiam menos em atacadistas —de fato, muitos atacadistas podem não sobreviver a uma longa crise. Por fim, os vencedores têm dinheiro que os ajudarão a passar pela turbulência.

2 – Empresas de luxo com vendas internacionais equilibradas se sairão melhor.

A Ásia deve se recuperar melhor do que a Europa e os EUA por um tempo e estar presente em todos os principais mercados continuará sendo benéfico.

No entanto, Pablo Mauron, diretor administrativo da China e sócio do Digital Luxury Group, afirmou que a demanda chinesa por luxo pode crescer de forma bem mais lenta. Os primeiros sinais são de que isso mudou significativamente o comportamento do consumidor e as vendas nas lojas e shoppings estão lutando para se recuperar.

Os chineses continuaram confiando fortemente no comércio eletrônico durante a crise, mas ele não servia para comprar luxo. Apesar das vendas recordes da Hermès em sua loja de Guangzhou na reabertura, as esperanças de uma forte “vingança” , o tal do revenge spending que já falei em uma matéria, ainda não se concretizaram, com a classe média ficando mais pobre com a crise do mercado de ações e as viagens permanecendo fora da agenda.

3 – O Barômetro de Confiança Edelman 2020 mostrou que as pessoas têm mais confiança nas empresas do que no estado ou na mídia para ajudá-las na crise. Para manter e aumentar essa confiança, as marcas de luxo precisarão continuar se envolvendo em parcerias público-privadas para mostrar contribuições positivas à sociedade além do domínio dos produtos. Eles querem ser vistos como empregadores locais responsáveis. Práticas que exploram os trabalhadores mais vulneráveis, mesmo no luxo, terão de parar.

De qualquer forma, esse momento está tornando os consumidores ainda mais sensíveis à necessidade de investimentos amigáveis ​​à natureza e ao clima, inclusive no luxo.

4 – A crise vai acelerar o reequilíbrio entre varejo digital e físico

Tanto Achim Berg quanto Pablo Mauron argumentaram que o comércio eletrônico provavelmente será o vencedor claro da crise da covid-19. Novas regras sanitárias significarão que as lojas de luxo terão de implementar as mesmas práticas de higiene dos supermercados. A entrada com hora marcada pode se tornar a norma. Isso certamente diminuirá a experiência no varejo físico.

5 – A ascensão do luxo experiencial já era uma tendência.

Com o coronavírus, o que surge mais claramente é que a experiência de compra digital melhorará consideravelmente. A Realidade Aumentada (AR) e a Realidade Virtual (VR) combinadas com experiências holográficas, como as que a Imverse pode oferecer, transformarão a experiência de compra online, colocando os consumidores em condições quase físicas de loja. Para Achim Berg e Pablo Mauron, como as viagens continuam paradas, o luxo terá de embarcar em experiências móveis digitais primeiro. As marcas também terão de garantir alta qualidade e experiências significativas com esses canais.
Para superar a crise econômica iminente, as empresas de luxo também precisarão aproveitar as oportunidades que os pontos de ruptura atuais apresentam.

Essa matéria da Forbes tem 2 meses, e podemos agora em julho comprovar que algumas dessas tendências estão acontecendo e outras foram otimistas demais.

Para o consumidor de luxo, acredito que se somam benefícios om todas essas mudanças.

Ainda acho cedo para saber se essas mudanças vieram para ficar ou se serão apenas momentâneas até a crise mundial passar. De qualquer forma, algumas delas são irreversíveis pois estamos diante de um novo mundo.

Dani Mollo
/daniela.mollo.7
@danimollo

FONTES:

www.forbes.com.br

www.vejario.com.br

www.hsm.com.br

www.maisonduluxe.com.br