O vinho do porto corre risco de ser esquecido

O vinho do porto corre risco de ser esquecido

O Vinho do Porto está correndo sérios riscos de se tornar um daqueles velhos esquecidos. Um estilo antigo, cheio de história e com tantas variações que podem deixar a gente um pouco confuso na hora de escolher. Ganhou um estigma de bebida “de velho” e vem lutando para se rejuvenescer e atingir mercados mais jovens.

O vinho fortificado proveniente da região do Douro surgiu no século XVII. Para que ele chegasse em boas condições na Inglaterra, recebia uma dose de aguardente vínica, durava mais tempo, e aguentava bem a viagem de navio. Não é à toa que muitas marcas de Porto têm nomes ingleses como Sandman, Syminghton, Graham e Croft. Os ingleses sempre foram os grandes consumidores deste estilo de vinho. Aliás, na Inglaterra vinho do Porto era uma bebida masculina, os homens bebiam depois que as mulheres saiam da sala. Bem antiquado, não acham?

A Região Demarcada do Douro foi criada em 1756, é considerada a primeira região demarcada do mundo, criando o modelo para o que viriam a ser as DOCS que conhecemos hoje em dia.

Existem muitos estilos, o que pode confundir um pouco a cabeça do consumidor.

Para resumir o estilo Ruby pode ter 3 estilos:

-O básico mais frutado, para ser bebido jovem, feito com uvas de diversas safras;

-O LBV, feito com uvas de uma safra única, engarrafado após envelhecer 4 anos em madeira (daí o nome Late Bottled Vintage), pronto para beber mas com potencial de envelhecimento em garrafa;

– O Vintage feito com uvas de uma única safra especial, engarrafado 2 anos após a colheita, capaz de envelhecer por muitos anos em garrafa, adquirindo aromas semelhantes ao de chocolate.

Já o Tawny passa mais tempo por madeira e tem um estilo oxidado: ou seja, aroma de frutas secas, caramelo e tostado. Existem aqueles que não têm indicação de idade e os que envelhecem 10, 20, 30 anos ou mais. Todos deliciosos, mas um pouco confusos para a cabeça do consumidor.

Além da imagem de “vinho de velho” e rótulos difíceis de entender, sua graduação alcoólica é maior que a de vinhos não fortificados, ficando por volta de 20% – sendo que a tendência atual é beber vinhos menos alcoólicos. Ou seja: a necessidade de modernizar a imagem do Vinho do Porto se tornou primordial.

Na tentativa de se aproximar do público jovem, o Instituto do Vinho do Douro e Porto (IVDP), que controla a produção do Vinho do Porto, autorizou no início do mês de maio a venda do drink Portonic, já pronto em latas ou garrafas. Uma tendência super em alta, já que o mercado das bebidas RTD (ready to drink) foi a categoria de bebidas alcoólicas que mais cresceu nos últimos anos.

A previsão é que essa novidade chegue por aqui em julho. Enquanto isso, você pode fazer seu Portonic utilizando 1 ⁄ 3 vinho do Porto e ⅔ água tônica. É só adicionar, uma rodela de limão ou casca de laranja, folhas de hortelã e gelo. A tradição é utilizar Porto branco ou rosé, mas com o tinto fica muito bom também.

Nestes dias desse nosso outono estranho, com temperaturas que sobem e descem, gosto de deixar um Porto Ruby na geladeira, fazer um Portonic na hora do almoço, e a noite, quando esfria, tomar uma taça do Porto antes ou depois do jantar. Ele dura bem por 15 dias na porta da geladeira, mas não esqueça de beber com moderação, afinal estamos falando de um vinho com 20% de graduação alcoólica e uma boa dose de açúcar!

Daniella Dinis
Sommelière

/daniella.w.dinis
@danielladinis