Inspiração, Realidade e Fantasia

Em 2020 o universo das séries nos permitiu uma viagem para lugares de sonhos, com visuais fantásticos e nos transportou, em alguns momentos, para locais mais realísticos que refletem a nossa sociedade.

O figurino tem um papel importante nas séries, uma vez que retrata a personalidade das personagens, a sociedade da época, a evolução da narrativa visual e a mensagem central de cada protagonista no seriado.

Independente de ser em uma história divertida ou história dramática, as roupas nos permite a compreensão do personagem, além de ser um elemento adicional que ou nos motiva a maratonar a série, ou nos inspira no estilo da vida real.

Provavelmente vocês foram impactadas pelo universo de figurinos, maquiagens e cenários impecáveis de algumas séries no ano passado.

Por isso, separamos algumas séries com figurinos incríveis que nos fazem querer roubar o guarda-roupa das personagens e ficarmos na expectativa para assistir ao próximo capitulo e/ou temporada.

 

EMILY IN PARIS

A série estrelada por Lily Collins conta a história da jovem Emily, que aceita mudar-se para Paris por conta de um emprego. Cada look das personagens Emily e Sylvie foram uma aula de: estilos, cores, modelagens e combinações, inserindo-nos em uma atmosfera parisiense perfeita que a série apresenta em cada capítulo.

 

O figurino de Emily

O styling foi assinado por Patricia Field, figurinista também responsável por “Sex and the City” e “O Diabo Veste Prada”, duas produções icônicas que, definitivamente, marcaram o estilo de suas décadas.

Reconhecemos que o comportamento atual do público jovem e os valores das pessoas que assistiam essas séries e filmes se tornaram mais contemporâneos, uma vez que buscam nas subculturas um reflexo do tempo e uma estética conectada com as novas gerações.

Os looks de Emily trazem um mix de estilos e estampas, sendo algumas referências pouco convencionais para replicarmos na vida real.

O visual composto por um lindíssimo vestido preto de ombros de fora com leve transparência, elaborado por Christian Siriano, é uma homenagem perfeita a Audrey Hepburn no filme “Cinderela em Paris”.

Considero esse um dos melhores looks, pois une perfeitamente a imagem, mensagens e personalidade de forma positiva em todos os sentidos de linguagem visual”. ( Pati Britto)


Foto Reprodução Netflix

 

O figurino de Sylvie

Não tenho dúvidas que o Estilo de Sylvie, a chefe de Emily, interpretada pela atriz francesa Philippine Leroy Beaulieu, é uma aula de modernidade e elegância. Como uma típica vilã, precisa transmitir uma imagem dura e sem sentimentos, porém ela acaba nos conquistando pelo seu tom de simpatia descomprometida e dos seus looks incríveis.

A chefe de Emily é pura elegância, com um estilo clássico e algumas adições de peças statement e modernas que tiram o figurino de um lugar óbvio. Em cada aparição ela traz em seu visual um glamour com um toque de sobriedade.

Para quem gosta de looks elegantes e ousados, na medida certa, sugiro que se inspirem nos looks de Sylvie.

  Foto Reprodução Netflix

 

THE MARVELOUS MRS. MAISEL

Dos mesmos criadores de “Gilmore Girls”, a série já levou para casa o prêmio Emmy de melhor série cômica, de melhor atriz, de melhor direção, entre outros.

A protagonista Midge Maisel da série The Marvelous Mrs Maisel, é uma dona de casa recém-separada que se aventura na carreira de comediante em Nova York nos anos 50. Preparem-se para uma história divertida, irreverente e que conta de forma leve o papel da mulher, em uma família judaica, que rompe com as convenções e se lança em uma carreira tipicamente masculina.

 

O figurino de Miriam, Midge Maisel

Em sua juventude, Miriam tem uma paixão por vestidos e possui um cômodo inteiro com peças incríveis. No início, Mrs. Maisel usa vestidos mais recatados e elegantes.  A sua imagem tem um toque de mulher refinada e de muita classe.

O figurino traz uma composição de vestidos combinados com chapéus e looks casuais chics que refletem a época em que ela vivia.

Imagem: Reprodução / Amazon Prime Video

Em cada episódio, sugiro observarem a evolução da personagem em suas atitudes, no figurino são demonstradas no uso de mais cores em seus looks, modelagens mais casuais e acessórios como lenços e óculos.

Um look que destaco como simbólico: o vestido preto, que ela usa como um elemento curinga, pois a personagem aposta na peça para os seus shows mais importantes, inclusive, ao aparecer performando na TV. Ela quebra paradigmas, uma vez que foi ensinada que esse deveria ser usado somente em certas ocasiões, Mrs Maisel usa a peça como forma de libertação e independência.

Imagem: Reprodução Pinterest

 

O GAMBITO DA RAINHA

O final de 2020 incentivou a busca por partidas de xadrez e o estímulo pode ter vindo pelo sucesso da série O Gambito da Rainha. O nome pouco atrativo compensa em uma produção impecável pela fotografia, edição de arte, set designs, tudo elaborado de forma a impressionar e ser um convite para nossos olhares – e isso complementado pelo belíssimo figurino.

Na série, a personagem Beth Harmon lida com o vício em álcool e remédios tranquilizantes, sendo interpretada pela atriz revelação Anya Taylor-Joy, que ao longo dos episódios consegue se libertar dessas amarras e vencer seus próprios demônios. O seu figurino evolui também à medida que sua confiança é reconquistada. 

 

O figurino de Beth Harmon

Para retratar os anos 1950 e 1960, décadas quando se passam a série, as roupas escolhidas possuem uma elegância atemporal. A seleção de referências vintage fashionistas dessa época são parte das produções da personagem, que vai estreitando sua relação com a moda ao longo dos episódios.

Podemos identificar as referências no figurino de diversas mulheres icônicas e poderosas: Jackie Kennedy, Audrey Hepburn e Grace Kelly. A representatividade dessas mulheres traduz o que há de melhor na moda atemporal: tecidos incríveis, cortes impecáveis, modelagem bem feita e uma cartela de cores suaves repleta de energia para determinadas ocasiões. 

Notem, assim como a personagem, que seu guarda-roupa também se transforma ao longo da história. A jovem Beth começa usando peças mais clássicas, como blusas com gola Peter Pan, decote arredondado e vestidos e saias midi com modelagem rodada. O xadrez, em uma sutil alusão ao tabuleiro do jogo, também aparece em algumas peças, principalmente em um dos contatos iniciais da garota com a moda, quando ela escolhe sozinha a primeira roupa que irá comprar para si: um vestido jardineira usado com camisa branca por baixo.

Imagem: Reprodução Pinterest

Conforme Beth amadurece, o estilo dela muda de acordo com as novas experiências e lugares que ela viaja. Seu estilo inicial é influenciado por Jean Seberg, Audrey Hepburn, Natalie Wood, entre outras” disse Gabriele ao site norte-americano Popsugar. “Os looks de Beth se tornam mais elegantes durante suas viagens para Paris e Moscou, onde nós usamos influências do movimento francês nouvelle vague. Inspiramos-nos em Romy Schneider e Juliette Gréco e em filmes como O Desprezo e Acossado. Se você os assistir agora, eles ainda possuem algo muito moderno e inspirador em questão de estilo.”

 

Imagem: Reprodução Pinterest

 

THE BRIDGERTON

A série Bridgerton é baseada nos romances de Julia Quinn e produzida por Shonda Rhimes. Foram mais de 7.500 peças de roupas desenvolvidas para incorporar os looks do século 19. Essa é uma série disruptiva que traz como Rainha da Inglaterra uma mulher negra, interpretada por Golda Rosheuvel.

 A figurinista da série, Ellen Mirojnick, que já trabalhou em filmes como “Instinto Selvagem” e “Malévola”, e recebeu um prêmio Emmy de Melhor Figurista em 2013, descreveu à revista “The Cut” como foi o processo de produção dos mais de 7.500 figurinos da série, que conta com oito episódios e dez bailes.

O primeiro passo é olhar para o período em que está trabalhando, e depois ampliá-lo. O resultado é uma versão mais funk, mais alta e mais selvagem do século XIX”.

 

Realmente, as roupas contam com cores neon, diversos cristais Swarowski, e perucas em tons pastel que não fazem parte do universo de 1800, mas sim, das famílias Featheringtons e Bridgerton da série. A primeira família retrata os novos ricos, que desejam a aceitação social. Já a família que dá o nome à série está no topo da camada social, é admirada pela sociedade e cumpre as formalidades impostas pela época. 

Ellen descreve a paleta de cores da série como “um sundae enorme com todos os toppings. É espumoso e delicioso, escapismo total”. Todos os detalhes foram pensados para dar um ar moderno à moda da época sem descaracterizá-la completamente. Para isso, ela começou estudando profundamente as regras de vestimenta da sociedade londrina do início do século XIX, para depois quebrá-las com maestria, criando algo totalmente original e, ao mesmo tempo, verossímil”.

 

Figurino de Daphe Bridgerton

Para quem gosta do mood romântico e majestoso, os vestidos em tons azuis esmaecidos com cristais são looks dos sonhos. A personagem Daphne tem uma alma romântica, mas com uma personalidade questionadora que se traduziu em alguns elementos como a paleta de cores das roupas e dos acessórios que ela usa em tons de dourado, azul e rosa-pastel.

Uma beleza que reflete simplicidade e elegância na pele, cabelo e figurinos.

Imagem: Reprodução Pinterest

 

Minha escolha de inspiração são os vestidos brancos com tons de dourados, pois remetem uma imagem feminina com atitude chic criativa. 

Imagem: Reprodução Pinterest

 

Figurino de Penelope Featherington

Ela tem um figurino que contempla vestidos em cores impactantes como amarelo, laranja e pink, com estampas florais, o que evidencia um espirito criativo caloroso.

Os acessórios são o ponto marcante no conjunto de sua imagem, pois reforçam o romantismo com a atitude levemente transgressora da personagem.

Imagem: Reprodução Pinterest

Essas são as séries com considero relevantes, e ainda têm em comum protagonistas e um elenco feminino que nos leva ou a refletirmos questões sérias ou apenas desejarmos momentos de escapismo com cenários e roupas glam chic.

Fechando essas sugestões, sugiro também que aproveitem seu tempo para se divertirem assistindo séries, filmes ou documentários que estimulem vocês no lado criativo, lúdico e questionador, e assim construírem seu repertório pessoal.       

 

Beijos