No Oriente onde a reabertura das lojas já aconteceu a um tempo, o comportamento dos consumidores de luxo foi voraz a princípio.

 
Enquanto o comércio físico se mantém quase totalmente fechado no Ocidente, na China, o varejo parece estar a todo vapor — principalmente no setor do luxo. Segundo informações do site WWD, uma loja da Hermès faturou pelo menos 19 milhões yuan, ou US$ 2,7 milhões (mais de R$ 14 milhões) em vendas no dia da reabertura de sua loja em Guangzhou, sul da China. 

 
O termo Revenge Spending ou Revenge Buying vem dos anos 80, dado o comportamento da população pós revolução cultural.

Depois de meses em lockdown, com varejo físico fechado afetando marcas que dependem do consumo, especialistas e marcas estão ansiosos para entender o comportamento do consumidor depois da quarentena. Muitos apostam no “revenge buying” (em inglês, algo como “consumo de vingança”) termo cunhado nos anos 80 que, em um primeiro momento, significava a demanda reprimida por produtos estrangeiros aos quais os chineses não tinham acesso à época. Em tempos de pandemia, a expressão explica a possibilidade de um retorno massivo e repentino ao varejo por parte dos consumidores que estão obrigados a ficar em casa. 

Na prática nada mais é que, depois de tempos sem poder comprar ou gastar, a população quer tirar o atraso.

Talvez esse comportamento, no mercado de luxo, também se observa aqui no Brasil.

A maioria das lojas continuou a venda online durante a quarentena, mas a compra nesse tipo de mercado, não envolve apenas o produto. A ida a uma dessas lojas é uma experiência completa: os cheiros, a champanhe, a atenção do vendedor, o toque no produto, não há site que substitua.

Alguns dizem que essa retomada voraz pode ajudar e aproximar os ganhos do esperado antes da pandemia, outros já afirmam que as perdas serão muito grandes e que será impossível igualar os níveis de lucro de antes.

Os especialistas dividem a opinião quanto a recuperação das lojas. Alguns dizem que essa retomada voraz pode ajudar e aproximar os ganhos do esperado antes da pandemia, outros já afirmam que as perdas serão muito grandes e que será impossível igualar os níveis de lucro de antes.

Daqui um tempo, o esperado é que o equilíbrio se restabeleça, e na minha modesta opinião, dificilmente haverá recuperação dos valores que foram deixados de ser arrecadados.

Esse comportamento também vai acontecer fora do mercado de luxo? Na mesma proporção ou intensidade?

Diante da ‘fase 1’ da flexibilização do isolamento na França, as lojas da Zara de até 400 m² instaladas no país começaram, nos últimos dias, a ser liberadas sem agendamento aos clientes.

A iniciativa, no entanto, foi marcada por multidões e filas que não respeitavam o distanciamento social recomendado pelas autoridades de saúde no combate ao coronavírus.

 

Alemanha já diminuiu bem medidas restritivas com a abertura de estabelecimentos comerciais com até 800 metros quadrados. Cada estado alemão tem, ainda, autonomia para decidir regras próprias de reabertura. Lojas de bicicletas, concessionárias de automóveis e livrarias poderão abrir sem importar o tamanho.

 

Parte dos estados também decidiu impor medidas de proteção para a circulação de pessoas. A Saxônia e Mecklenburgo-Pomerania impuseram o uso obrigatório de máscaras nos transportes públicos e em espaços comerciais, medida que será adotada pela Baviera na próxima semana, quando começará a reabertura do comércio.

Segundo a imprensa alemã, a chanceler do país, Angela Merkel, ainda se mostra preocupada com a possibilidade de que a pressa por reabrir negócios e permitir atos públicos destruam tudo o que se conseguiu até agora no país para conter a pandemia.

A própria Itália que foi um dos países que mais severamente sentiu o impacto da doença também reabriu parte do comércio.

Todas essas experiências, apesar de que cada país e população tem características de comportamento e ambientais diferentes, podem servir para que nós que estamos quase 1 mês atrás, possamos nos basear.

Tudo é novo para o mundo todo. Que as perdas de vidas e financeiras não nos tire a motivação para continuar.

 

Dani Mollo