Com a taxa Selic em 2%, ouço muita gente dizendo que a renda fixa se transformou em “perda” fixa e eu sempre me perguntei o motivo de toda essa preocupação com a taxa de juros, já que é comum nos demais países uma taxa mais baixa, zerada ou até mesmo negativa, como na Suíça e Japão. Portanto, é necessário começar a olhar para a renda variável, sim, porém, sem matar os investimentos em renda fixa. Ela ainda tem sua importância, e não é pouca.

Por que a renda fixa ainda é importante?

Para o investidor conservador, com objetivos de curto prazo, é uma necessidade aplicar o capital em uma modalidade com ativos seguros e com rendimento previsível. Essa é a primeira razão de a renda fixa ser essencial em alguns casos.

Quais os rendimentos dos investimentos de renda fixa?

Hoje, a temos a Selic em 2%. Isso significa que o 100% do CDI rende menos ainda, ou seja 1,9% de rentabilidade bruta, sem descontar o imposto de renda. Resumindo, quase nada. E a poupança apenas 1,4% ao ano. Pior ainda.

Com isso, quando consideramos uma inflação de 3%, por exemplo, significa que o dinheiro está perdendo valor. Entretanto, os ativos que remuneram 100% do CDI, geralmente são aqueles com liquidez diária, como CDBs e Tesouro Selic. Mas acredite, ainda hoje é possível encontrar investimentos que rendem 1% ao mês. Exatamente isso que você está vendo.

Resumindo, cada vez que a taxa de juros cai, a renda fixa fica menos importante na carteira de investimentos, mas nem por isso ela deixa de ser essencial.

Por que investir em renda fixa?

Há dois motivos que fazem eu, você ou qualquer investidor precisar ter renda fixa na carteira. Primeiramente, em razão da reserva de emergência, que é o dinheiro que pode ser resgatado a qualquer momento (liquidez diária) e que não pode sofrer grandes oscilações, como ocorre com ações na B3 (B3SA3), por exemplo.

Imagine que você deixe sua reserva de emergência na renda variável e durante a pandemia é obrigado a resgatar com um prejuízo de 50%. Não tem como. Neste caso, a renda fixa com liquidez diária é a única opção.

Além disso, ter uma reserva de oportunidade é essencial na vida de um investidor atento no mercado financeiro. Imagine como o investidor prevenido, com uma reserva, aproveitou a liquidação de ações na B3 (B3SA3) durante a crise causada pelo novo coronavírus.

Não houve melhor momento para adquirir ativos na última década. Isso só foi possível para quem tinha investimentos da renda fixa e pôde migrar parte dele para a renda variável.

O Brasil ainda está caminhando para ser um país que investe em ações

Segundo relatório da B3, hoje há mais de 3 milhões de CPFs registrados na Bolsa. Ainda estamos longe de países como EUA, onde mais da metade da população investe em renda variável. Mas com o tempo, conforme o brasileiro for entendendo melhor como aplicar seu dinheiro, este conceito vai sendo desmistificado e o perfil vai mudando. Assim como a renda fixa sempre foi e será essencial, a renda variável agora ganha o mesmo status. Neste momento, não correr nenhum risco é muito arriscado.

O investidor atualizado e cauteloso deve entender que não há mais saídas para evitar o investimento de renda variável. O mercado está se afunilando. O mais importante é focar em ter uma carteira diversificada. O imprevisível, aquilo que nunca vimos antes, o cisne negro de Nassim Taleb, sempre aparecerá. O céu pode estar azul na estrada, mas tenha um guarda-chuva no porta-malas. O Brasil não é para amadores.

Leia a matéria sobre a queda na economia em 2020.

Assista ao vídeo sobre a importância da renda fixa e estratégias para se tornar milionário:

Fabrizio Gueratto
 
 
Fonte: Site Estadão, coluna Fabrizio Gueratto.