Taças para vinho

Taças para vinho

Se você aprecia vinhos já deve ter se deparado com inúmeras taças diferentes, uma para cada estilo de vinho ou até mesmo uma para cada uva. E fica a pergunta: preciso mesmo de taças diferentes para diferentes vinhos ou é tudo marketing?

Em 1973 a marca austríaca de vidros e cristais Riedel lançou no mercado a sua linha Sommelier. Taças em estilo clean, muito diferentes das cheias de rococó que se usava até então. O conceito por trás do design destas taças seguia o mantra dos modernistas da Bauhaus: “a forma segue a função”. Ou seja, a forma de uma taça deveria ser capaz de melhorar o vinho, expressá-lo com todos os seus aromas e sabores. E como chegar a essa fórmula mágica? Na tentativa e erro, através de degustações em diferentes estilos de taças. Max Riedel, atual CEO da empresa conta que quando o famoso produtor de vinhos americano Robert Mondavi ficou tão encantado quando sentiu como seu vinho ficou incrível em uma taça feita especialmente para ele. Imediatamente resolveu utilizar as taças nas degustações de sua vinícolas, e elas viraram febre por toda a Califórnia.

Embora aquele tradicional mapa da língua não funcione exatamente como se pensava antigamente, sabe-se que diferentes regiões da nossa língua tem mais ou menos papilas gustativas para percebem doce, salgado, ácido amargo ou umami. Então a forma da boca da taça pode direcionar o vinho para focar mais na acidez, ou “amaciar” os taninos. O tamanho da taça interfere na distância entre o vinho e nosso nariz. Os vinho brancos, que possuem aromas florais e são servidos à temperaturas menores precisam estar mais próximos ao nosso nariz. Já os tintos mais tânicos e encopados precisam de espaço para respirar, para o álcool evaporar e liberar todos os seus aromas. Como costumam ser mais tânicos, suas taças têm aberturas maiores, que ajudam a suavizar a maneira como os taninos são sentidos na língua.

Ou seja: chega-se a essa forma na tentativa e erro, mas que existe ciência por trás, existe. E se faz diferença? Muita. Mesmo sozinha em casa, degustando on-line na pandemia eu gostava de pegar diferentes taças para provar um vinho, e a diferença sentida é grande na maioria dos casos.

Não estou sugerindo que você tenha uma taça para cada vinho – um hobby caro e que demanda muito espaço. Uma taça estilo Bordeaux, para tintos encorpados, uma para tintos médios e uma para brancos já é ótimo. Se Pinot Noir for a sua paixão, a taça Borgonha tem o bojo em forma de balão e é capaz de expressar todos os aromas sutis desta uva tão delicada. Já para brancos com passagem por madeira como Chardonnays californianos, uma taça para brancos com o bojo maior é indicada para enfatizar a cremosidade deste estilo de vinho. Faça o teste com as taças que já tem em casa e veja a diferença. Tenho certeza que só beber prestando atenção já irá despertar seus sentidos e fazer com que você aprecie o vinho cada vez mais!

 
 
Daniella Dinis
Sommelière

/daniella.w.dinis
@danielladinis