Um bom vinho Rosé para degustar no verão

Um bom vinho Rosé para degustar no verão

Tem coisa mais deliciosa que degustar um rosé bem fresco no verão? Ainda mais se for acompanhado de um belo prato de frutos do mar! No Brasil, ainda bebe-se pouco vinho rosé. Mas por que, se ele combina tanto com o nosso clima e nossa comida? Vou te explicar.

Por muito tempo o rosé foi associado a vinhos doces, como o português Mateus. Vinhos baratos, produzidos em larga escala, com muito açúcar residual e o risco de nos deixar com uma bela ressaca. Nos Estados Unidos a fama não era muito diferente: o White Zinfandel, criado no anos 1970 como um subproduto do vinho tinto da Sutter Home, ficou famoso por ser um vinho doce e fácil de beber. Com isso os vinhos rosés não eram bem vistos no mundo do vinho.

Dizem os historiadores que os primeiros vinhos eram rosados.

Na Grécia Antiga, uvas brancas e tintas eram pisadas e fermentadas juntas, produzindo um vinho claro e oxidado. No século VI a.c.,o vinho rosado grego chegou à região onde hoje se encontra Marselha. Quando os Romanos chegaram à Provence, já conheciam a fama do delicioso vinho rosé produzido até hoje na região.

A partir dos anos 2000, o vinho rosé virou moda novamente. Quem não adoraria beber Miraval, o vinho produzido no castelo onde Brad Pitt e Angelina Jolie se casaram? A propriedade foi adquirida pelo casal em 2012 e, com o divórcio, ficou para Brad. Miraval passou a ser um vinho tão cobiçado que até cópias falsificadas apareceram no mercado! Em 2014, nos Hamptons ocorreu uma grande crise: houve uma falta de vinho rosé, tamanha era a procura por esse estilo de vinho.

O que dá o tom rosado ao vinho não é o tipo da uva utilizada, mas sim o estilo de vinificação. Uma pequena parcela ainda é feita com mistura de uvas brancas e tintas, mas a grande maioria dos vinhos rosés são feitos com uvas tintas. No entanto, o tempo de contato com as cascas, onde os taninos estão concentrados, é curto: apenas o suficiente para se que chegue na cor desejada. Outro método de produção é a sangria, em que se separa uma parte do mosto do vinho tinto para fazer vinho rosé, e o resto é utilizado para dar mais concentração ao vinho tinto. Esse método resulta em vinhos mais alcóolicos.

Então o vinho rosé pode ser feito de qualquer uva? Sim, pode! Cabernet Sauvignon, Tempranillo e Merlot são alguns exemplos. Rosé de Malbec é uma ótima opção para um churrasco em dias de calor.

Na região da Provence, os vinhos têm tonalidade rosa bem clara. São feitos a partir de blends com uvas como Mouvèdre, Grenache, Cinsault e Syrah. Costumam ser bem frescos e ter ótima acidez, o que os torna maravilhosos na hora de harmonizar com comida. A gastronomia local, a base de muitos frutos do mar, alho e ervas fica simplesmente divina combinada com vinho rosé.

Ele pode ter várias tonalidades, que vão do clarinho “casca de cebola”, salmão até um rosa intenso. Os aromas costumam ser de frutas vermelhas, pêssegos e podem ter toques florais. Pelo pouco contato que têm com a casca, não são vinhos tânicos e por isso não são feitos para envelhecer. A maioria dos rosés do mercado deve ser consumida em até 3 anos, então nada de esperar. Beba vinho rosé e beba agora!

Fontes:
“Drink PInk, a Celebration of Rosé”: James, Victoria.
https://viagemeturismo.abril.com.br/materias/conheca-o-chateau-miraval-o-lugar-fabuloso-onde-brangelina-subiu-ao-altar/

https://www.wine-searcher.com/m/2018/05/the-pale-and-uninteresting-problem-with-rose

Daniella Dinis
Sommelière

/daniella.w.dinis
@danielladinis