Em uma tarde qualquer de Agosto, me encontrei em uma cafeteria de Seoul, conversando com Reinaldo Normand, CEO e cofundador da InnovaLab, uma plataforma na qual profissionais ajudam alunos a entender as carreiras STEM (Science, Technology, Engineering), e inovações tecnológicas. Esperando meu cafezinho, não resisti e tive que registrar em vídeo a bebida ser preparada pelo braço robótico do outro lado do balcão afinal, não é todo dia que um robô barista passa meu café.

O Café BOTBOTBOT (https://www.instagram.com/_bot.bot.bot/?hl=pt) conta com robôs que preparam cafés e drinks, decoram bolos e há até um robô flamingo que reage ao movimento de quem passa perto a ele, filmando os mesmos através de seu único olho e exibindo imagens em um telão na parede. 

Uma cafeteria cheia de robôs foi o local ideal para um papo sobre o futuro com Normand, que regeu startups de tecnologia e de capital de risco nos EUA, China e Brasil. Minha conversa com ele abriu meus olhos para tecnologias de um futuro que pensava ser tão distante, mas, na verdade, já está aqui. 

O primeiro choque veio quando ele me apresentou “This Person Does Not Exist” (https://thispersondoesnotexist.com/), um site que apresenta imagens 100% geradas por computador de rostos humanos fictícios usando uma Rede Geradora Adversária ao atualizar. Ou seja, sabe aquele fato conhecido que a mente humana não consegue imaginar um rosto que nunca viu? Bom, um computador consegue! Um rosto totalmente fake, de uma pessoa que não existe.  

Não bastasse isso, Normand ainda me apresentou ao brilhante GPT-3 (https://openai.com/blog/openai-api/). GPT-3, ou Generative Pre-training Transformer 3, é o mais novo e mais poderoso modelo de linguagem de IA da OpenAI, que usa deep learning para produzir textos semelhantes aos desenvolvidos por humanos.

 

Em outras palavras, o computador aprende como humanos se expressam e, a partir desse modelo de linguagem aprendido, é capaz de gerar conteúdo original que parece ter sido produzido por uma pessoa de verdade.

É mais fácil de entender o que o GPT-3 faz na prática, como nesses aplicativos que fazem uso da API, disponíveis no site da Open AI (https://beta.openai.com/?app=creative-gen).  O GPT-3 pode gerar uma linguagem tão natural, complexa e consistente que permite seu uso para escrita criativa. Um dos meus exemplos favoritos mostrados pelo CEO naquele dia foi um app que cria uma narrativa em estilo literário baseado em qualquer prompt escrito pelo usuário. Fiquei tão impressionada com o refinamento da linguagem usada no texto que foi difícil acreditar que este havia sido escrito por um computador e não uma pessoa.

Quando me despedi de Normand naquele dia, minha cabeça parecia ter explodido e a percepção do mundo em que vivemos foi totalmente balançada. Há 2 anos escrevi um texto discutindo como empregos se popularizaram e desapareceram, assim como empregos novos e promissores surgem com o tempo. Alguns deles são difíceis de encontrar atualmente, pois se tornaram extintos, obsoletos ou foram substituídos por robôs e computadores.

 

No mesmo texto, defendi que ofícios criativos nunca passariam por essa transição de humanos para robô, mas hoje já não penso da mesma forma. Não é uma questão de “se”, mas de “quando”.

 

Em tempos de pandemia, imagine quão lucrativo seria se a produção de filmes e séries não tivesse que parar, uma vez que o tanto os atores, quanto o script e o plano de fundo podem ser completamente criados em computador? E não estamos falando da sua animação comum, mas da produção de um live-action totalmente fake. Isso não é um futuro distante, a tecnologia já está aqui.

Até o próximo texto, 안녕하세요.

Vittoria Ventura

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