Você sabe a diferença entre vinho fino e vinho suave?

Você sabe a diferença entre vinho fino e vinho suave?

No nome podem parecer a mesma coisa, ambos são vinho. Mas eles têm muitos diferenças e é importante saber qual é qual na hora de escolher.

A primeira lição para quem quer aprender sobre vinhos é entender a diferença entre as uvas viníferas (Cabernet Sauvignon, Merlot, Sauvignon Blanc) e as uvas de mesa (Concórdia, Isabel, Goëthe). Essas últimas são maravilhosas para comer, para fazer vinhos nem tanto. E isso não é meu gosto pessoal, o Brasil é um dos únicos lugares do mundo aonde se permite fazer vinhos com esse tipo de uva. Na Europa somente os vinhos feitos com uvas viníferas podem ser chamados de vinho!

As primeiras videiras chegaram ao Brasil com os portugueses nas caravelas. Pois onde havia missa tinha que ter vinho! Mas as videiras europeias, as vitis viníferas, não se adaptaram ao nosso clima tropical e não vingaram.

 

Foi a partir de 1800 que as videiras americanas (vitis lambrusca) foram introduzidas no Brasil e deram super certo. Mais resistentes que as uvas viníferas, começaram a se disseminar em locais de imigração alemã como São Leopoldo. A partir de 1875 chegaram os imigrantes italianos, trazendo com eles uvas que utilizavam para fazer vinhos na região do Vêneto (como Ancelotta, Teroldego e Peverella)- que não resistiram bem ao clima úmido do sul do país. E a uva Isabel se dava super bem por lá. Sem vinho os italianos não iam ficar, então o jeito foi fazer vinhos com ela!

A solução foi utilizar as uvas de mesa para fazer vinho. Aqueles que conhecemos como vinhos suaves, vinhos de garrafão ou de mesa produzidos aqui no Brasil são vinhos feitos com uvas de mesa. Vinificadas elas tem um sabor sempre muito parecido: de uva. Rústico, frutado, precisa de açúcar (e muito) para ficar bom. Brasileiro ama doce, tanto que esse estilo de vinho se encaixa bem no nosso paladar! Mas eles não tem a complexidade dos vinhos de uvas viníferas. Você não vai sentir pimentão, framboesa e couro neste tipo de vinho.

Os bagos das uvas de mesa são maiores e sua casca bem fina. E é justamente a casca grossa e os bagos pequenos que deixam as uvas viníferas capazes de produzir vinhos complexos e interessantes. Os taninos, ricos em antocianos que fazem bem à nossa saúde, estão presentes em todos os tipos e uva. Mas as uvas viníferas, com suas cascas mais grossas e bagos menores têm uma concentração maior. Elas também são ricas em acidez, que é fundamental para o vinho.

 

 

O consumo de vinhos no Brasil sempre foi super baixo em relação à média mundial. Menos de 2l por habitante por ano- e destes apenas 0,8 eram de vinhos de uvas viníferas. Em 2019 alcançamos 2.13litros por habitante ao ano. Em 2020 esse número aumentou 26%.O brasileiro gosta muito de açucar, e por isso esse estilo de vinho docinho continua a fazer muito sucesso por aqui. Mas na hora de harmonizar com comida, opte pelos vinhos finos e de uvas viníferas. Para harmonizar com comida o vinho tem que ter ACIDEZ. Vinhos suaves, com adição de açúcar, não valorizam a refeição com a sua doçura excessiva.

Claro que cada vinho tem seu local e seu valor, e os vinhos de garrafão são parte da nossa história e tradição. Mas se quiser tomar um vinho complexo, com capacidade de evolução e de acompanhar um bom prato, vá de vinhos finos de uvas viníferas.

Daniella Dinis
Sommelière

/daniella.w.dinis
@danielladinis